Jardineiras
CRÔNICAS. 00033- Jardineiras
Rib.Preto. 11.01.2012
Esta narração foi inspirada após a leitura de uma crônica histórica da rua Prudente de Moraes, em Taquaritinga, escrita por meu amigo Milve A. Peria, que trouxe à minha lembranças ótimas recordações, pois tive o prazer de conviver com inúmeros personagens descritos na mesma, e peço vênia ao meu conterrâneo, para elucidar um pequeno equivoco, com certeza por falta de maiores informações, quando diz que o senhor Emilio Rossani, morador na referida rua,” tinha uma linha de jardineiras para Itápolis”.
De fato, o “seu” Emilio tinha uma linha de jardineiras, de Santa Adélia, onde residia, a Taquaritinga, passando por Fernando Prestes, Candido Rodrigues, Icoarana e Jurema, com dois veículos, desses abertos, com banco de madeira, sendo um de reserva, no caso de quebrar o de uso diário. Os veículos a noite ficavam estacionados no posto de gasolina, de propriedade de meu pai, anexo à Agencia Chevrolet, onde também se abasteciam diariamente de gasolina, inclusive os reparos dos citados “ônibus” eram feitos na nossa oficina. A despesas eram feitas na base de “caderneta”, acertadas mensalmente, o que criava uma aproximação muito grande, dado o trato diário, entre o cliente e o comerciante, a ponto de o relacionamento passar a ser de muita amizade e confiança. No fim da década de 40, com o aumento do movimento de passageiros, o seu Emilio mudou-se para Taquaritinga, à rua Prudente de Moraes, pois assim facilitaria o seu trabalho de administrar sua empresa, por estar mais próximo dos atendimentos necessários ao funcionamento da mesma. Em 1951, resolveu modernizar seu equipamento rodoviário, comprando de meu pai um chassis de caminhão Chevrolet, novo, que seria transformado em um ônibus na nossa oficina da Agencia Chevrolet. Meu pai mandou buscar na fabrica,

Com base em um projeto da Chevrolet, a carroceria do ônibus foi completamente construída na nossa oficina, que tinha todos os equipamentos necessários para tal, sendo que a estrutura da mesma era feita de madeira, depois recoberta com chapas de aço; após o termino da fabricação, o ônibus ficou quase idêntico ao foto anexa, que era do mesmo ano, mas de uso urbano, diferentemente do aqui descrito, que era de uso inter-municipal, não tendo portanto a porta de entrada na frente (vide foto) e sem o corredor para transito de passageiros, mas havia uma série de bancos no sentido transversal do veiculo, sendo que o acesso era feito por portas laterais, uma para cada fileira; o banco do motorista, que ocupava toda a largura do veiculo, era acessado também por uma porta lateral.
Finalmente quando pronto, o ônibus foi pintado de cor verde escuro, tendo na altura do teto, sobre as portas, um letreiro, Taquaritinga, Jurema, Candido Rodrigues, Fernando Prestes, Santa Adélia, Vice e Versa. O letreiro foi pintado pelo nosso amigo Alcindo Pacelli, que era um artista na confecção de cartazes, placas, etc., jamais conheci outro igual nesse mister. Quando o novo ônibus iniciou suas viagens, diárias, ia e volta para Santa Adélia, o seu Emilio aposentou os velhos, que já estavam “nas ultimas”, pois o novo trabalhou por muito tempo, sem nenhum problema.
..........................si non é vero, e bene trovatto.
Glauco Costantini









