Os Artesões Taquaritinguenses - Oficina de Costura - Os Alfaiates
Milve Peria
Nas décadas dos anos 40, 50, 60 e até 70, Taquaritinga era um celeiro de profissionais-artesões, graças às oficinas-escolas que aqui existiam: marceneiros, sapateiros, alfaiates, barbeiros, costureiras e tantas outras profissões que aqui eram forjadas.
Há alguns dias passados, conversando sobre fotografias antigas com o amigo Walter Desiderá, este me exibiu diversas fotos, retratando passagens dos anos acima citados. Entre essas fotos, uma chama a atenção do observador, visto que ali estão retratadas mais de 40 pessoas, senhores sisudos, todos de terno e gravata, demonstrando que se tratava de uma reunião solene.
Perguntei: -- quem são esses personagens; qual o motivo daquela reunião; onde teria acontecido e em que data.
Walter me esclareceu que se tratava de uma reunião dos alfaiates, realizada em homenagem ao Dia do Alfaiate, que se comemora no dia 6 de setembro e que ocorreu no ano de 1950 ou 51, tendo como local a Pensão Bem-Te-Vi, de propriedade do sr. Atílio Accorsi. Walter faz parte dessa foto, pois, nessa época trabalhava na Alfaiataria de seu pai, Américo Desiderá.
Aproveitamos a oportunidade para, neste espaço, reproduzir a citada fotografia e, com a ajuda de diversas pessoas, em especial, o José Carlos Travizzanuto que, também, em sua adolescência, trabalhou na alfaiataria do sr. José Sudano, aprendendo o ofício. Outros também nos ajudaram a recompor os nomes: Toninho Pagliuso, Sidival Lacativa Pozetti, Elenilze, Antonieta, Deise e tantos outros consultados. Há vários anos passados, essa foto já havia sido publicada no jornal “Cidade de Taquaritinga”. Vamos aos nomes:
| 1ª fila | 2ª fila | 3ª fila | ||
| 1 – Nicola Carlomagno | 14 – N.I. | 28 – Vitor Guzzoni | ||
| 2 – João Di Jorge | 15 – Nelson Nucci | 29 – Waldemar Lombardi (Zico) | ||
| 3 – Pascoal Amatuzzi | 16 – José Di Jorge | 30 – José Cristiano (Nenê) | ||
| 4 – Angelo Cristiano | 17 – Wilson Damiani | 31 – Agide Bettoni | ||
| 5 – N.I. | 18 – José Sudano | 32 – N.I | ||
| 6 – José Lofrano | 19 – Miguel Aielo | 33 – Onofre Franco | ||
| 7 – Anselmo Boldrini | 20 – Mário Franco | 34 – José Carlos Cristiano | ||
| 8 – João Franco | 21 – Sílvio Pozetti | 35 – Hugo Karl | ||
| 9 – Paschoal Pagliuso | 22 – José Rosário Aloi | 36 – Walter Desiderá | ||
| 10 – Jorge Stefanelli | 23 – Nilton Sant´Anna | 37 – Romualdo Donato | ||
| 11 – Antonio Sacomano Sobrinho | 24 – N.I. | 38 – Dorival Boaretto | ||
| 12 – Roberto Cristiano | 25 – Argeu Silvestre | 39 – N.I. | ||
| 13 – Vicente Cristiano | 26 – Luiz Miguel | 40 – Nildo Pala | ||
| 41 – José Klinger Campos | ||||
| 42 – Euclides Damiani | ||||
| 43 – Nildo Sachetti | ||||
| 44 – Duílio Mondadore |
O Alfaiate
É o profissional que exerce a alfaiataria, uma arte que consiste na criação de roupas de forma artesanal e sob medida, ou seja, de acordo com as medidas e preferências exclusivas de cada pessoa.
Os profissionais dessa arte utilizam utensílios simples, como a tesoura (Solingen), a régua, a fita métrica, moldes, giz, linha, agulha, entretela e a imprescindível máquina de costura (Singer), acionada a pedal e, posteriormente, elétrica e o indefectível ferro de passar aquecido a carvão vegetal, em brasa.
Era uma profissão que passava de pai para filhos que funcionavam em pequenos ateliês, geralmente comandados pelo profissional mais antigo que era o proprietário do estabelecimento que se encarregava de tirar as medidas, fazer os moldes, cortar o tecido, fazer a prova. Era o mestre-alfaiate que estava rodeado de ajudantes. Os mais experientes costuravam e faziam os acabamentos. Os mais novatos, isto é, os aprendizes de oficial auxiliavam, chuleando, pregando botões. Mas, a peça depois de confeccionada passava por uma checagem geral, seguida da prova no corpo do cliente e, depois dos ajustes, vinha o acabamento final que consistia na entrega da peça, caprichosamente passada.
A oficina abrigava diversos oficiais, isto é, pessoas que executavam diversas tarefas, de acordo com o grau de desenvolvimento de cada um.
A profissão de alfaiate é classificada da seguinte forma:
- Mestre-Alfaiate – profissional que também pode ser o proprietário do estabelecimento, habilitado a tirar as medidas, corte, preparo e ultimação das peças do vestuário;
- Contra-Mestre – profissional que auxilia o Mestre;
- Ajudante de Contra Mestre;
- Meio-Oficial – é o aprendiz de Oficial, que auxilia costurando pensas, fazendo bolsos, mangas, ilhargas;
- Ajudante – é o aprendiz que faz o ponto mole, chuleia, acolchoa entretelas, lapelas e baixo de gola;
- Coleteiro – é o oficial que confecciona os tipos de coletes;
- Calceiro – é o oficial que confecciona os tipos de calças;
- Passador – é o oficial encarregado de passar todas as peças do vestuário;
- Aprendiz de alfaiate – é o elemento que se inicia na profissão.
Mas, o progresso, representado aqui pela industrialização em série, se encarregou de praticamente eliminar o artesão, não só da alfaiataria, bem como das sapatarias, das marcenarias, das barbearias, e das costureiras. A indústria da roupa feita, nos anos 80, com a automação, afetou a profissão de alfaiate. Atualmente, somente os bem sucedidos executivos exigem um corte de terno impecável e personalizado é que se utilizam do profissional-alfaiate.
A despeito da massificação existente em nossos dias o profissional alfaiate continua a exercitar importante papel na sociedade.
Milve- dezº / 2011









