NOSSA TAQUARITINGA
1918 – Como era a nossa cidade
          1918 – VISÃO DE UM JORNALISTA DO JORNAL “A RAZÃO” DO RIO DE JANEIRO DE COMO
ERA A NOSSA CIDADE
          Sob o título “São Paulo por dentro” “TAQUARITINGA”, O Jornal de Taquaritinga,
em sua edição de 6 de julho de 1918 – nº 92, transcreveu um artigo de um jornalista que
visitou nossa cidade, em 1918, onde coloca a sua visão sobre a nossa cidade: “. . .
Expelindo rolos de fumo, golfava a locomotiva arrastando o comboio através dos chapadões
extensos, atravessando planícies, devorando o espaço, com a enérgica tenacidade de um bom
trabalhador. O sol na sua plenitude radiosa de sua força, iluminava intensamente a
paisagem que da cadeira do carro em que me aboletara, via fugir diante dos olhos, na
rapidez que levávamos. A perder de vista estendem-se os cafezais ao longo da linha
férrea, cobertos de frutos sazonados. Ao saltar na estação que serve a esta cidade,
tinha a sensação de que acabava de sair de infindável Oceano de verdura. No desempenho
da tarefa que me faz percorrer o Estado, visitei toda a cidade, notando por toda parte
desusado movimento. Turmas de operários – cavam, desentulham, nivelam, limpam, edificam
muros. É o trabalho de embelezamento e reerguimento para beneficiar a cidade.
Reerguimento? Sim. A modificação da administração municipal deu lugar a entrada de um
pugilo de homens honestos e operosos, conscientes de seus deveres e responsabilidades,
as quais ao tomarem sobre os ombros o encargo do governo local, o fizeram dispostos a
beneficiar a cidade. Assim é que de janeiro para cá (menos de cinco meses), os atuais
administradores já pagaram mais de 100:000$000 de dívidas de administração anterior,
sendo só para a Companhia de Eletricidade 37:000$000 de luz. Uma demonstração positiva
de confiança que merecem os novos administradores do município é a operação de
modificação das dívidas municipais, com quatro anos de prazo a juros de 7,5% ao ano. O
município é rico e possui 15 milhões de cafeeiros em plena produção e distribuídos por
700 a 800 propriedades, todos livres de ônus. Jurema e Santa Ernestina são os dois
distritos de paz, sendo que pretende a Câmara criar mais dois – Guariroba e Cândido
Rodrigues. Boas estradas de rodagem nas quais trafegam carros e automóveis. A água
potável é boa, porém mal captada. A atual administração está cuidando de captá-la melhor,
construindo um bom reservatório. Orçam em 900 os prédios urbanos.  As ruas são largas,
bem tratadas e os prédios limpos e de agradável aspecto, sendo alguns de custo elevado e
bom gosto artístico. O serviço de melhoramentos das ruas foi encetado pela atual
administração, pois antes disso afrontava um verdadeiro perigo quem por elas transitavam.
Não sendo calçadas, as chuvas produziam pela retirada da terra verdadeiros precipícios,
como tive oportunidade de observar em duas dessas vias públicas que estão agora
convenientemente tratadas. . . . Possui a cidade uma bela praça ajardinada e arborizada
e já trabalham no preparo de outra para o mesmo fim, da qual foram retirados para seu
nivelamento, alguns milhares de metros cúbicos de terra. Há na cidade seis médicos,
cinco farmácias, três jornais, nove advogados, uma igreja, um cinema, um clube
recreativo, um grupo escolar, o hospital, Associação Regional de Escoteiros, Linha de
Tiro, um rink, para patinação, um clube de foot ball, um campo para law tennis. Existem
boas usinas para o preparo de arroz, sendo a média de 80.000 sacas anuais... O edifício
da municipalidade foi destruído pela administração passada para reconstrução e aquela
funciona agora em prédio alugado, até a obtenção de um prédio condigno, como deseja
adquirir o novo prefeito. O orçamento municipal não vai talvez a 300 contos e será
dentro desse limite que será feito o serviço de remodelação e reerguimento dos serviços
gerais do município. O atual prefeito, major Francisco Florêncio da Rocha, com quem
palestrei longamente, é um tipo austero e enérgico, trabalhador e empreendedor.
Taquaritinga foi constituída em Comarca a 4 de fevereiro de 1908, tendo sido desligada
da Comarca de Jaboticabal, por decreto nº 9, do Congresso Legisalativo de São Paulo,
sendo o Dr. Gustavo Paes de Barros quem advogou a sua aprovação. Foram paladinos dessa
cruzada o advogado Dr. Antonio de Castro – que dirigiu toda a campanha no seu jornal “O
Correio do Interior”, e o Dr. Gastão de Sá Filho. A atual Câmara Municipal está assim
constituída:
          Vereadores : cel. Gustavo Augusto de Moraes – Presidente
          Tenente cel. Francisco Gonçalves de Mendonça – vice presidente
          Major Francisco Florêncio da Rocha – prefeito
          Major Thomaz Sebastião de Mendonça – vice prefeito
          Demais vereadores: Horácio Cunha, Pedro Paulo Corrêa, Joaquim Ferreira
Campanhã, e Sebastião Miranda.
          O Diretório do Partido Republicano de Taquaritinga está assim constituído:
          Dr. Jacintho de Souza – presidente
          Dr. Joaquim Mariano da Costa – vice presidente
          Horácio Cunha – secretário
          Cel. Antonio de Moraes Silveira, major Francisco Florêncio da Rocha, Pedro
Paulo Correa e Damião Antonio Gonçalves.
          A oposição cerrou fileiras em torno de três de seus membros mais prestigiosos:
os senhores José Ferreira Leite, major Savério Calderazzo e cel. José Ramalho.
          Para terminar – notei com satisfação que existe na cadeia pública uma boa
escola destinada ao ensino dos reclusos. É de iniciativa de um caridoso anônimo, alma
generosa que a mantém às suas expensas. Uma ótima medida. . . o atual prefeito aproveita
o serviço dos reclusos na conservação das estradas e embelezamento das ruas e praças.
Por esse serviços percebem eles um pequeno salário e tem melhorado o rancho. Possuem
assim esses infelizes dois poderosos elementos de progresso: o ensino que esclarece e
educa e o trabalho que eleva e dignifica. R . “

          PROBLEMAS QUE AFETARAM O MUNICÍPIO DURANTE O ANO DE 1918
          Problemas locais:
          Geada
          A lavoura do café foi praticamente destruída, em nossa região, vitimada pela
geada ocorrida na noite de 24 de junho de 1918, data em que se comemora o Santo São João.
          Até 1918, predominava a monocultura do café.
          Uma grande geada assolou os cafezais e provocou uma quebra enorme na produção.
A partir daí começaram a surgir outras culturas, tais como: algodão, milho, arroz,
feijão, etc.

          Onda de gafanhotos
          Após a geada, uma onda de gafanhotos atacou as lavouras de milho, feijão,
arroz, ocasionando mais prejuízos aos lavradores
          Em setembro do mesmo ano (1918), o Estado de São Paulo e, em especial a nossa
região de Taquaritinga, foi invadida por uma onda de gafanhotos, que destruiu todas as
plantações. À tarde, quando saiam em revoada, formavam verdadeiras nuvens, que chegavam
a esconder o sol, de tantos que eram.
          Os fazendeiros e os colonos abriam valetas nas roças. As crianças e as
mulheres, saiam batendo latas, panelas, galhos de árvores para espantar os insetos, para
cairem dentro das valas. Outros, com rastelos, enxadas, rodos, empurravam os
gafanhotos. Uma outra turma de pessoas vinham atrás, jogando terra sobre os animais,
enterrando-os.
 
          Gripe espanhola
          Outro fator que interferiu na vida da população foi o pavor provocado pela
epidemia conhecida por gripe espanhola ou “la influenza hespanhola”. Morreram muitas
pessoas vítimas da gripe.
          Nas cidades, principalmente, na Capital, grassou uma forte gripe, que foi
conhecida por “Gripe Espanhola”, que ceifou oito mil vidas, em apenas quatro dias. A
gripe instalou-se entre nós em setembro; cresceu no fim desse mês e nos primeiros dias
de outubro. A primeira quinzena de outubro foi de calamidade pública. A enfermidade se
alastrou por todo o Estado e, segundo dados divulgados na época, vitimou 35 mil pessoas,
em apenas dois meses.

          Fatores extra município

          A guerra na Europa
          A guerra que se desenvolvia na Europa, desde o ano de 1914, ocasionando uma
recessão internacional, que redundou na queda do preço do café, principal produto de
exportação, afetando diretamente os nossos lavradores.

          Novo presidente da República
          Outro fator foi de natureza política, envolvendo a presidência da República.
Em 1918, realizaram-se eleições para a escolha do Presidente da República. Foram eleitos
Rodrigues Alves e Delfim Moreira, respectivamente, Presidente e Vice Presidente, para o
período de 15 de novembro de 1918 a 15 de novembro de 1921.
          Entretanto, por ocasião da posse, que ocorreu a 15 de novembro de 1918,
Rodrigues Alves já se encontrava doente e não compareceu à solenidade de posse. Delfim
Moreira, vice presidente, o representou. Dois meses depois, isto é, em 15 de janeiro de
1919, Rodrigues Alves veio a falecer e Delfim Moreira assumiu a presidência,
provisoriamente. Foram marcadas novas eleições que se realizaram em 1919, para a escolha
do novo presidente.
          A classe política voltou a se movimentar, para a escolha do novo candidato.
Vários nomes eram veiculados pela imprensa: Rui Barbosa, jurista, senador; Arthur
Bernardes, (governador) presidente do Estado de Minas Gerais; Altino Arantes, presidente
do Estado de São Paulo; J. J. Seabra, jurista, e presidente do Tribunal de Justiça. A
cúpula Diretora do Partido Republicano escolheu o Dr. Epitácio Pessoa, jurista,
parlamentar – senador federal pelo Estado da Paraíba do Norte, para candidato oficial à
presidência da República. No momento da escolha, Epitácio Pessoa encontrava-se na Europa,
Paris, chefiando a delegação brasileira na Conferência de Paz.
          Na época (1919), a Federação brasileira era composta de 20 Estados e mais o
Distrito Federal. Cada unidade da Federação tinha um certo número de delegados que
tinham representatividade  perante a Convenção Nacional que iria escolher o candidato à
presidência da República.  Minas Gerais era o Estado com maior número de delegados = 20.
; em segundo lugar, vinha o Estado do Rio de Janeiro, com 15 delegados; São Paulo vinha
em terceiro lugar, com 14 delegados; Rio Grande do Sul, 13; Ceará, 12; Distrito Federal,
12; Pernambuco, 10; Pará, 3; Maranhão, 7; Paraíba, Sergipe, Espírito Santo, Paraná e
Santa Catarina, com 6 delegados cada; Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas e Mato Grosso,
com 5 delegados cada, totalizando 203 delegados.

          COMPOSIÇÃO DO QUADRO ELEITORAL DO MUNÍCIPIO E COMARCA DE TAQUARITNGA, EM 1918

          Em 1918, o Conselheiro Rodrigues Alves havia sido eleito, pela segunda vez,
para o cargo de Presidente da República. Na época da eleição, Rodrigues Alves era
Senador Federal, por São Paulo. Eleito presidente, teve que renunciar à Senatoria.
          Para preencher a vaga aberta no Senado, foi realizada nova eleição, em 9 de
novembro de 1918. O Partido Republicano Paulista indicou o nome de Dr. Álvaro da Costa
Carvalho, candidato único, para preencher a vaga no Senado.
          A composição do quadro eleitoral em nossa Comarca, para essa eleição de
9-11-1918, era o seguinte:
          Seções eleitorais:
          Taquaritinga – sede
          Primeira Seção – 249 eleitores;
          Segunda seção – 206 eleitores;
          Total de elitores na Sede – 455 eleitores
          Jurema - 60 eleitores
          Santa Ernestina – 47 eleitores
          Santa Adélia  172 eleitores
          Distrito de Pindorama – 42 eleitores
          Total de eleitores, na Comarca – 776 eleitores
 
          OBS: Guariroba e Cândido Rodrigues ainda não eram Distritos. Foram
transformadas em distritos posteriormente, a saber: Cândido Rodrigues – pela Lei nº
1.602, de 10-10-1918; Guariroba – pela Lei nº 1.606, de 31-10-1918.
          As mesas receptoras de votos estavam assim formadas:
          Primeira Secção:
          Presidente: Dr. Nicolau Vergueiro da Silva Gordo (era o Juiz de Direito da
Comarca;
          Mesários:
          Cel. Gustavo Augusto de Moraes, que era o Presidente da Câmara Municipal; e
          José Inocêncio de Camargo Lima

          Segunda secção
          Presidente – major Thomaz Sebastião de Mendonça – era o vice prefeito
          Mesários – Joaquim Ferreira Campanhã e Pedro Paulo Corrêa, ambos eram
vereadores

          Seção de Jurema
          Presidente – José Ferreira Vieira Júnior – era o Sub Prefeito do Distrito
          Mesários – Octavio Bittencourt, era Primeiro Juiz de Paz
          Cap. Francisco de Paula Ferreira, suplente de Juiz de Paz

          Seção de Santa Ernestina
          Presidente – José Inocêncio do Amaral
          Mesários: - José Evangelista de Oliveira Nantes
          José Alves Pereira

          Município de Santa Adélia
          Presidente – Manoel Mendes Pereira
          Mesários: - Afonso José de Souza
          Alfeu César Pedroso
          MOVIMENTOS SOCIAIS - 1917 - 1918
          Com a industrialização surge um novo componente, principalmente na Capital e
nas cidades mais industrializadas. Os empregados passam a se associar em sindicatos. Os
movimentos sociais passam a ser mais freqüentes, tanto nas cidades, principalmente na
Capital, como no campo. Eram movimentos urbanos e rurais.
          Em 1917, nos meses de junho e julho, em São Paulo, explode uma greve geral,
paralisando a cidade.
          Quais eram os motivos para fazer greve ? A greve fazia parte de um amplo
movimento contra a carestia, isto é, a alta dos preços. Esse era o pano de fundo mas,
na realidade, os grevistas tinham outras reivindicações, além do combate à carestia:
          Garantia aos direitos dos trabalhadores;
          Liberdade a todas as pessoas detidas por motivo de greve;
          Contra a dispensa dos trabalhadores;
          Proibição do trabalho pesado para menores de 18 anos;
          Proibição do trabalho pesado para as mulheres, nas fábricas e nas oficinas;
          Aumento de salário para os trabalhadores que ganhassem abaixo de cinco mil
réis;
          Pagamento a cada quinze dias e o mais tardar até cinco dias após o vencimento;
          Garantia de trabalho permanente;
          Jornada de trabalho de oito horas.
          A repressão à greve de 1917 foi violenta, mas serviu para dar a partida para
muitas mudanças. A partir dos movimentos ocorridos em 1917, não dava mais para o governo
ignorar as reivindicações dos operários.  
          CAIXA ECONÔMICA ESTADUAL (NOSSA CAIXA – NOSSO BANCO)  
          Era inaugurada em nossa cidade a agência da Caixa Econômica Estadual (que
passou a denominar-se Nossa Caixa – Nosso Banco), na data de 24 de maio de 1918. Em
2009, a instituição bancária foi vendida ao Banco do Brasil.   
          SOCIEDADE SÃO VICENTE DE PAULO
          Em 6 de junho de 1918, era fundada em nossa cidade a Sociedade São Vicente de
Paulo. Consta dos registros que a fundação da Sociedade se deveu, ao final da Primeira
Grande Guerra, com o objetivo de atender os flagelados desse conflito. Um grupo de
pessoas se reuniu para arrecadar alimentos destinados aos flagelados da Guerra. Aquele
seria o embrião da Sociedade.
          As primeiras reuniões eram realizadas na então Igreja Matriz, atualmente,
Santuário Nossa Senhora Aparecida. Com o passar dos anos, o grupo resolveu comprar um
imóvel para facilitar o trabalho das conferências, que já estavam sendo formadas. O
prédio se localizava em frente da praça, na rua Campos Sales. O prédio da praça
Centenário foi utilizado até agosto de 1997, ocasião em que a sede da sociedade foi
transferida para o novo prédio localizado na Avenida Antonio Micali.  
          O fundador foi Antonio Maria Gonçalves e o primeiro Presidente foi Teodoro
Nucci.
          ESTRADA DESTINADA A AUTOMÓVEIS

          Em 1918, os prefeitos de Taquaritinga e Jaboticabal, respectivamente, Major
Francisco Florêncio da Rocha e o Capitão Bento Vieira de Albuquerque, iniciaram
negociações para a construção de uma estrada que ligasse os dois municípios, através de
uma estrada para automóveis.
          Naquele ano de 1918, marcaram um encontro, no ponto limítrofe dos dois
municípios, que ocorreu no dia 25 de dezembro de 1918, no bairro Santa Cruz das
Laranjeiras, na fazenda de José Ramalho Filho.
          Esteve presente a essa reunião Horácio Cunha, vereador da Câmara Municipal
de Taquaritinga.
          Dessa reunião, os dois prefeitos acordaram na construção da estada para
automóveis, entre os dois municípios, obrigando-se cada Prefeitura construir seis
quilômetros de estrada cada.
          A execução da obra foi feita com relativa economia, visto que, para os
trabalhos de escavação e terraplanagem foram empregados os detentos das respectivas
cadeias, mediante módica remuneração .
          Entre os dois municípios, foram construídos doze quilômetros ; os restantes
ficaram a cargo dos concessionários da estrada, Dr. Paulo Floriano de Toledo e Albino
Rodrigues Trindade. Os concessionários cobravam um pedágio.
          A concessão foi por vinte anos.