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Circulava o jornal “O COMMERCIO” , de propriedade de S. Pereira & Silva, sendo gerente S. Pereira e que tinha “Redacção e officinas proprias: - Rua do Commercio, 45-A”. Reproduzimos algumas curiosidades constantes da sua edição de 1º de dezembro de 1912: CHAPÉOS – modernos para senhoras de 10$000 a 70$000 recebeu a Casa Militerno: Largo da Matriz, 3 – telephone 37. NOMEAÇÕES – Por portaria de ante-hontem, o sr. dr. Tertuliano Delfin, prefeito municipal, nomeou os srs. Manoel Siqueira Rosa, Propicio Casimiro de Campos e Vergilio Paes de Oliveira, respectivamente, zeladores do matadouro, do cemitério, e da caixa d’agua desta cidade. DIA DAS FLORES – Passou a 27 de novembro a data da senhorita Jesumina Andrea. A distincta aniversariante foi muito felicitada, recebendo ricos presentes e lindos boquets de flores. À noite, reunia-se em a sua residência diversas pessoas, sendo-lhes servido saborosos doces e finos licores. FALLECIMENTOS – Desapareceu dentre os vivos, no dia 28 p. passado o sr. Januario da Cunha Mello, emprezario da Funeraria desta cidade e chefe de numerosa familia. Estimadissimo, como era, o seu enterro teve um grande acompanhamento. Depois de prolongados soffrimentos, falleceu no mesmo dia o pintor Marcelino Augusto da Silva. POSTO ANTI-TRACHOMATOSO – Movimento de 18 a 30 de novembro do corrente anno: Indivíduos examinados - 60 Com trachoma . . . . ... ......18 Outras moléstias nos olhos 19 Curativos feitos. . . . . . . . .852 Altas . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 Casos de ankilostomiase 6 OS QUE VIAJAM – Seguiram para Poços de Caldas os srs. Francisco Marino e Benjamim Marino. Para a Itália partirá no dia 3 o sr. Constantino de Cunto que vae em viagem de recreio. PROFESSOR DE MÚSICA – Lecciona qualquer instrumento pelos preços seguintes: Piano 20$000 mensaes Flauta 10$000 mensaes Violão 10$000 mensaes Prepara-se musicos para corporação musical para corporação musical a 6$000 mensaes e ensina-se em qualquer clave. 3 lições semanaes Professor Antonio Amato Para contratos será encontrado na Casa Mascotte, largo da Matriz, das 7 às 8 horas da noite. RESIGNANDO (renunciar) Os srs. Coronel Manoel Gomes de Mendonça e Pedro Paulo Corrêa, resignaram hontem o cargo de vereador à Câmara Municipal. Estamos quasi que habilitados a dizer que, dentro em pouco, um outro também deixará aquella investidura. Um a um e vão deixando – por que será ? ENGOMADEIRA – De colarinhos e punhos, somente. Garante-se perfeição nos trabalhos. Preços modicissimos. Para informações com S. Carvalho. Casa proxima ao armazem Cosentino na estação desta cidade. GATO PRETO – Em virtude da crise que atravessamos resolvemos baixar os preços de bilhetes da nossa agencia aqui, a quem trouxer dinheiro trocado para as compras. As reduções são as seguintes: Loteria de São Paulo Bilhetes de 50 contos 4$000 Bilhetes de 40 contos 3$500 Bilhetes de 20 contos 1$600 Fracções $800 Loteria Federal Bilhetes de 100 contos 9$000 Bilhetes de 50 contos 4$500 Fracções $900 Só no GATO PRETO, grande stock para o Natal – Rua Prudente de Moraes, 13 – Alves & Comp.” JUREMA - JURUPEMA O Distrito nasceu com o nome de Jurema, pelo Decreto Estadual nº1.315, de 3 de agosto de 1912. A partir de 30 de novembro de 1944, pelo Decreto Estadual nº 14.334, foi alterada a denominação para Jurupema. Os casarões que ainda fazem parte da paisagem urbana são testemunhas de que o último presidente da Velha República, Dr. Washington Luís, passava por lá para visitar a família Jordão, na Fazenda Santa Maria. Há relatos de que Santos Dumont, o inventor do avião, também fazia paradas no armazem do Sr. Felipe Gabriel. Um parente próximo do inventor Santos Dumont, de nome Dr. Luiz Santos Dumont (talvez irmão), era proprietário de extensa área de terra, uma fazenda de café encravada entre Fernando Prestes e Santa Adélia. Aqui em Taquaritinga, em 1908, Dr. Luiz Santos Dumont era o presidente do Diretório Político do PRP – Partido Republicano Paulista – indicado pela Comissão Diretora do Partido em São Paulo. Era um político influente. (vide maiores detalhes sobre Dr. Luiz Santos Dumont no verbete “1908”. O Distrito era servido pela Estrada de Ferro Araraquarense, inaugurada em 1908 e fechadaem setembro de 1955, em conseqüência da supressão da linha original. A linha nova passou a correr por fora do distrito, com uma nova estação distante da vila, hoje também desativada. O padroeiro da Vila é São João Batista. A passagem na fogueira é um atrativo na Festa de São João, que ocorre na noite de 23 para 24 de junho. A Lei nº 3.257, de 25 de junho de 2002, transformou a tradição em data festiva e turística do município. O presidente da República era o marechal Hermes da Fonseca. JURA , JUREMA , JURUPEMA O Bloco Carnavalesco “Grêmio Dissidência do Samba Batata Doce” teve a feliz idéia de homenagear o Distrito de Jurupema neste carnaval de 2007, com o sugestivo título “JURA, JUREMA, JURUPEMA”, que se constitui num melodioso refrão musical. Este escrivinhador, que muito se orgulha de ser juremense, procurou colocar no papel alguns dados que fazem parte da história do Distrito. Mas, vamos ao tema: Etimologicamente, qual o significado da palavra Jurema. O Dicionário Michaelis assim a define: “Bot. Árvore, cuja casca tem propriedades adstringentes e narcóticas”, isto é, cujo sumo produz sonhos e êxtases. Já a palavra Jurupema – o mesmo que Urupema – uma espécie de peneira destinada a escorrer o leite de coco, passar a massa do feijão cozido, da mandioca ralada, isto é, a denominação dada a uma peneira de fibra vegetal para uso culinário.
Origem: como surgiu: Final do século XIX. A cultura do café se expandia, rumo ao interior paulista. Vários fatores se uniram e se constituíram no suporte para o crescimento dessa cultura. Na nossa região não foi diferente: terras férteis e clima propício. Em 1890, o café já estava consolidado na região de Ribeirãozinho, ocupando grandes extensões de terras. Outros dois fatores vieram se juntar para a consolidação da cultura cafeeira: a chegada dos imigrantes europeus, que representavam o fornecimento de “braços para a lavoura”, ou seja, a mão de obra para dar suporte aos proprietários de terras. O outro fator foi o transporte ferroviário, com a chegada dos trilhos da estrada de ferro.
O povoado Começou a surgir no final do século XIX, por volta dos anos 1880, 1890. Inicialmente, através de migrantes, moradores na região de Araraquara, Jaboticabal; também se juntaram a estes, migrantes mineiros, vindos das Minas Gerais. Mas, a expansão maior ocorreu com a chegada dos imigrantes europeus: italianos, estes em maior número, portugueses, espanhóis, sírios-libsaneses e mais tarde, os japoneses. No início do século XX, em 1900, já era constituído de uma população numerosa, principalmente, no entorno da zona rural.
Dados históricos: O Distrito nasceu com o nome de Jurema, pelo Decreto Estadual nº 1.315, de 3 de agosto de 1912. A partir de 30 de novembro de 1944, pelo Decreto Estadual nº 14.334, foi alterada a denominação para Jurupema. A igreja A grande maioria dos habitantes professava a religião católica. A Paróquia de São Sebastião foi instalada a 25 de dezembro de 1898. Não havia decorrido ainda três anos e o povoado de Jurema recebeu uma licença para erigir uma capela, através de uma provisão passada pela Câmara Episcopal de São Paulo, datada de 4 de julho de 1902, que estava assim redigida: “. . . Fazemos saber que atendendo ao que nos representaram os habitantes do Arraial denominado Jurema, distrito da Paróquia de Ribeirãozinho, deste Bispado. . . . Havemos por bem conceder licença para que no referido arraial se possa erigir uma Capela sob a invocação de São João Batista”. Dentro dos limites da Paróquia de Ribeirãozinho, a primeira autorização para a construção de uma capela foi dada ao “arraial” de Jurema.
Padroeiro da Vila O Padroeiro da Vila é São João Batista. Capela de Santo Antonio Dentro do perímetro urbano do Distrito, há uma outra igreja que tem como padroeiro Santo Antonio que se localiza na rua que dá saída para o Bairro Anhumas. Através de uma provisão passada aos 21 de dezembro de 1905, pela mesma Câmara Episcopal de São Paulo foi autorizada “. . . efetuar a celebração do Santo Sacrifício da Missa” na Capela de Santo Antonio de Jurema. Portanto, Jurema foi o primeiro bairro a receber autorização para a construção de uma Capela – a de São João Batista, bem como recebeu uma segunda autorização, desta feita para a celebração da Missa, na Capela de Santo Antonio, o que demonstra que era um local de grande concentração de pessoas e que, na sua grande maioria, professava a religião católica.
O comércio O comércio era constituído de casas comercias – as vendas – como eram conhecidas. Era intenso, principalmente, nos fins de semana e nos dias santos, quando os sitiantes e demais moradores da zona rural se deslocavam para a vila para fazerem suas compras para atender suas necessidades básicas. Nos demais dias da semana, o movimento era mínimo. Algum movimento era notado nos horários dos trens de passageiros, quando alguns viageiros procuravam a vila para tomar o trem ou daqueles que chegavam pela ferrovia. O jornal “O Correio do Interior”, que era editado em Ribeirãozinho, em sua edição de 9 de julho de 1905, traz um artigo sob o título “Jurema”, onde trata da cobrança de impostos pelo poder público e a sua má aplicação. Faz uma análise da receita coletada e das despesas efetuadas pela edilidade, naquela localidade: “... Pagam, pacificamente, impostos municipais, neste distrito, além de lavradores de café, alguns dos quais são também cobrados pelo fabrico de aguardente e de materiais para construção (olarias), dois negociantes de fazenda e armarinhos, nove de secos e molhados, ferragens e louças, dois açougueiros, dois barbeiros, dois padeiros, duas indústrias com máquina de beneficiar café, um farmacêutico, um ferreiro, um armeiro, um hoteleiro, um alfaiate, diversos proprietários de veículos de aluguel, troly, carros de boi, carroças e mais um negociante de bebidas com botequim. . .” Pela leitura desse artigo, conclui-se que era um bairro com muitas casas e com um comércio razoável para os padrões da época. É bom lembrar que nessa época (1905), a estrada de ferro ainda não tinha atingido a vila, que só veio a ocorrer em 1908.
Zona rural A maioria da população concentrava-se na zona rural, esta formada de sítios de médio porte entre 30 e 50 alqueires. As grandes fazendas eram em pequeno número. A principal delas era a Fazenda Santa Maria, de propriedade do Sr. Gastão Jordão. Nas propriedades rurais, os trabalhadores se agrupavam em colônias, formadas por um grupo de casas.
Estrada de Ferro O Distrito era servido pela Estrada de Ferro Araraquara, inaugurada em 1908. Com a alteração do traçado do leito ferroviário, a estação local foi desativada, em setembro de 1955. O novo traçado passou a circular fora do perímetro urbano do Distrito.
Serra de Jurema Jurema é circundada pela Serra de Jabuticabal onde, até hoje, existe mata nativa, originária da mata atlântica. Ali viviam bandos de macacos de toda espécie, jaguatiricas, onças, pássaros e muitas outras espécies de animais silvestres. Da sua encosta desciam corredeiras de água, que brotavam do alto da serra. Na época das chuvas, essas corredeiras se transformavam em verdadeiras cascatas. No sopé da serra, terra fertilíssima, formada por uma camada de argila negra, que está sempre fresca, graças à sua posição. A serra se constitui num ponto turístico, pois reproduz uma vista bucólica, dando ao viageiro a sensação de muita paz e tranqüilidade.
Plebiscito
A população do Distrito foi consultada sobre se concordava ou não com a emancipação político-administrativa. O plebiscito ocorreu a 28 de novembro de 1963, que apresentou o seguinte resultado: Compareceram 339 eleitores; Votaram “SIM” - 302 eleitores; Votaram “NÃO” - 35 eleitores. Entretanto, o Governo do Estado vetou a emancipação político-administrativa a vários distritos no Estado e dentre esses estava o Distrito de Jurupema.
Os bailes na zona rural Lá pelos idos de 1920, 30 e 40, a zona rural era numerosa, pois ali se concentravam as famílias dos colonos, meeiros, retireiros, empregados. Os fazendeiros e proprietários dos sítios permitiam que fossem realizados bailes, principalmente, nas datas festivas religiosas. Os freqüentadores, moças, rapazes que moravam nas redondezas se locomoviam, até o local, a pé, de charrete, carroça e a cavalo pois, veículos, como automóveis, caminhões eram em número muito reduzido. Os bailes eram realizados em terreiros de chão batido, cobertos com encerados ou sapé ou folhas de coqueiros. As tulhas com as paredes laterais de tábuas também eram utilizadas. Esses locais não eram servidos de energia elétrica. Eram iluminados por lamparinas, lampiões a querosene. A animação ficava a cargo do sanfoneiro, às vezes acompanhado por um violão e um pandeiro, que eram acomodados sobre um paliçado ou uma mesa no centro do terreiro. Não se cobrava ingresso dos participantes. Quando o baile estava no seu auge, com o salão totalmente ocupado, a música parava e o organizadores colocavam uma fitinha no paletó ou na camisa do cavalheiro e aí era cobrado um valor simbólico, para ajudar pagar o sanfoneiro. As músicas executadas eram valsas, marchinhas, xote. Footing na rua do Comércio Nos anos 40, 50, aos sábados, domingos e feriados, durante à tarde / noite, os jovens faziam o “footing” , onde rolavam os flertes, as paqueras, os namoricos. Como a estrada de ferro ficava a curta distância desse local, durante o horário do trem de passageiros que vinham ou iam para Taquaritinga, moços e moças se deslocavam até a estação e lá ficavam passeando pela plataforma e outros sentavam-se nos bancos e depois retornavam ao local do footing. Os mais apaixonados arriscavam até uma serenata à sua amada, onde eram executadas lindas valsas, chorinhos, boleros. .
Dias festivos A maioria da população professava a religião católica. Nos dias consagrados às festas religiosas, a população participava: missas, rezas, terços, procissões. Além dos rituais sacros, depois era complementado com brincadeiras profanas, tais como, banda de música, quermesse, barracas, fogueiras, fogos e até bailes.
Passagem sobre a fogueira Já é tradição a passagem sobre a fogueira que se constitui num atrativo durante as festividades que ocorre na noite de 23 para 24 de junho, quando se comemora a Festa de São João. A Lei Municipal nº 3257, de 25 de junho de 2002, transformou a tradição em data festiva e turística do município.
Os casarões Os casarões que ainda fazem parte da paisagem urbana foram construídos no início do século passado. Os moradores mais antigos se orgulhavam ao relatarem que o último presidente da Velha República, Dr. Washington Luiz, passava pela vila quando vinha visitar a Família do Dr. Gastão Jordão, proprietária da Fazenda Santa Maria.
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