NOSSA TAQUARITINGA
1907 – Edição histórica do jornal “O Correio do Interior”
          EDIÇÃO HISTÓRICA – JORNAL “O CORREIO DO INTERIOR”

          Entre os anos de 1905 e 1908, circulou em nossa cidade um jornal, cujo título
era “O CORREIO DO INTERIOR”, que se intitulava “Periódico imparcial, agrícola, commercial
e noticioso” e colocava com destaque que se tratava da “Folha de maior tiragem e de maior
circulação no interior do Estado”.  A propriedade e a direção era de ª Castro & Comp . e
a redação e oficinas na Rua Municipal nº 58.
          O que nos leva a registrar aqui são as duas edições, mais especificamente as
de números 129 e 130.  
          Mas, o que há de especial nessas duas edições ?
          A de número 129, está datada de “Domingo, 24 de novembro de 1907” e figura como
local da edição “Ribeirãozinho – Estado de São Paulo – Brazil” (com “z”) Já a edição de
número 130, datada de “Domingo, 8 de dezembro de 1907”, o nome da localidade é
Taquaritinga.
          Tratam-se de duas edições históricas, visto que registram a transição do nome
de Ribeirãozinho para Taquaritinga, pois, com a instalação da comarca, a nossa cidade
deixou de ser Ribeirãozinho e passou a ser Taquaritinga.


          DIVISÃO POLÍTICO – ADMINISTRATIVA
          Em 1892, ocorreu a criação do Município; com a criação do município, ocorreu a
divisão político-administrativa e, por conseguinte, o desmembramento do território do
município de Jaboticabal
          No início do século, faziam parte do Município, além do Distrito Sede, mais
quatro Distritos:
          O distrito de Jurema, criado pela Lei nº 1.315, de 3 de agosto de 1912, com
posto policial instalado na mesma data;
          O distrito de Santa Ernestina, criado pela Lei nº 1441, de 14 de dezembro de
1914, com posto policial instalado em 2 de julho de 1915;
          (Pela Lei nº 8092, de 28 de fevereiro de 1964, foi criado o Município de Santa
Ernestina, desmembrando-se do território do nosso Município de Taquaritinga)
          Cândido Rodrigues, criado pela Lei nº 1602, de 19 de outubro de 1918; Cândido
Rodrigues foi elevado a Município pela Lei nº 5285, de 18 de fevereiro de 1959.
          Guariroba, criado pela Lei nº 1606, de 31 de outubro de 1918.
          Quando foi criado o Distrito de Paz, em 1918, era Presidente do Estado
(Governador) Dr. Altino Arantes; era Prefeito o Major Francisco Florêncio da Rocha; a
área era de 142 km quadrados e tinha 2.144 habitantes. O Padroeiro é São Pedro. O
sub-prefeito atual (ano 2000) é o Sr. João Romagnoli. Guariroba significa “palmito
amargo”.

          DIVISÃO JUDICIÁRIA
          Em 1907, com a criação da Comarca de Taquaritinga, ocorreu a divisão judiciária.
          Quando da instalação da Comarca, em 1908, faziam parte, além do nosso
Município, mais os seguintes: Fernando Prestes, Santa Adélia e Pindorama.
          Atualmente (ano 2000), a Comarca de Taquaritinga abrange os Município de
Cândido Rodrigues, criado pela Lei nº 5.285, de 18 de fevereiro de 1959;
          Município de Fernando Prestes, criado pela Lei nº 7.354, de 5 de julho de 1935;
e Município de Santa Ernestina, criado pela Lei nº 8092, de 28 de fevereiro de 1964.
 
          DELEGACIA DE POLÍCIA
          Pela Lei 1.102 – A de 25 de novembro de 1907, foi criada a Comarca de
Ribeirãozinho, com a denominação de Taquaritinga. Essa mesma Lei, em seu artigo 2º,
estabeleceu: “Fica elevada à categoria de quarta classe a delegacia de polícia daquele
município”.
          GUSTAVO AUGUSTO DE MORAES VAI A SÃO PAULO
          Gustavo Augusto de Moraes fora agraciado com a patente de coronel da Guarda
Nacional, graças ao seu poder político que exercia, pois era um dos chefes políticos da
política local.
          Na edição de 9 de setembro de 1907, do jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO”, na
coluna “Os Municípios” encontra-se inserida a seguinte notícia:
          “RIBEIRÃOZINHO – Esta nessa capital o sr. coronel Gustavo de Moraes, um dos
chefes políticos desta terra. Dizem que s.s. foi tratar de reconhecer diretório político,
coisa que absolutamente não acreditamos, visto como a situação política desta localidade
não autoriza, ou por outra, não impele nenhum dos chefes que aqui existem a avançar a
tanto. Sabemos que esse senhor está empenhado em desfazer os planos dos senhores
políticos de Jaboticabal que querem por toda a força tirar de Ribeirãozinho, para aquele
município, grande parte da Serra, que é um dos blocos de ouro deste município e onde o
sr. Moraes tem propriedade agrícola. Se assim é, achamos que o sr. Gustavo está
aproveitando muito bem o seu tempo e a sua posição é digna de todos os aplausos”.
          A notícia levanta duas questões: a relacionada ao diretório político local e a
questão das terras, envolvendo a Serra. No nosso entender, ambas têm fundamento: quanto
ao diretório político, as decisões realmente partiam da Comissão Central, em São Paulo.
Era lá que eram tomadas as decisões sobre quem seriam os candidatos e, quando eleitos,
quais os cargos que iriam ocupar e tudo o mais. Quanto à questão da Serra, o sr. Gustavo
tinha interesse sim, pois uma de suas propriedades estava localizada na região da Serra
e se fosse transferida para o município de Jaboticabal, isto viria enfraquecer o seu
poder político em nosso município.
          A atuação política do coronel Gustavo retroage ao ano de 1902, no movimento que
visava o restabelecimento da Monarquia, tendo sido nomeado Comandante das forças
revoltosas, conforme consta do inquérito policial elaborado sobre os indiciados.(vide
verbete MONARQUIA – INQUÉRITO POLICIAL)