NOSSA TAQUARITINGA
1906 – Membros da Guarda Nacional
          Definições:
          Aurélio – Novo Dicionário –
          Corpo de infantaria e cavalaria de segunda linha, criada em 1831 e extinta em
1910 (?), composto de cidadãos armados para conservação da ordem.
          Milícia auxiliar formada por civis, com postos honorários.

          Enciclopédia – Folha de São Paulo
          Guarda Nacional – milícia criada durante a Regência Trina Permanente, quando
era ministro da Justiça o padre Diogo Antonio Feijó, como mais um instrumento do governo
para conter as agitações populares. Subordinada ao ministério da Justiça, foi
regulamentada pela Lei de 18 de agosto de 1831 e era composta somente de pessoas da elite
agrária, interessadas em manter a ordem social.  Com isso, a Guarda Nacional passou a
funcionar como a principal força repressiva da oligarquia agrária, sustentando a sua
hegemonia.  Por se constituir numa força armada diretamente ligada à aristocracia rural,
a Guarda Nacional é muitas vezes apontada como um dos antecedentes fundamentais para o
nascimento do coronelismo político.
          (coleção da Folha de São Paulo – Nova Enciclopédia Ilustrada Folha – volume I
 – pag. 425.

          Guarda Nacional – “Atlas Histórico “Isto É” – pag. 56
          A Guarda Nacional foi criada, em 18-8-1831, durante a regência Feijó, visando
conter o jovem e irriquieto exército, com seus negros, mestiços e oficiais infectados de
jacobismo (isto é, de um radicalismo exaltado e de um nacionalismo exagerado).
          Até a República, seus coronéis (maior patente) foram a peça-chave do poder
local..
          “Isto É” registra que a Guarda Nacional foi extinta em 1918.

          Michaelis - Guarda Nacional – Corpo de infantaria e cavalaria de Segunda linha
encarregado da conservação da ordem.

          A Guarda Nacional apoiou o Exército durante o conflito com o Paraguai.

          Historiador José Romanelli

          Artigo assinado por José Romanelli, publicado na edição de 1º de janeiro de
1949, do jornal “Cidade de Taquaritinga”. “Valendo-nos de velhos arquivos, vamos
reproduzir aqui, a guisa de rememorar o passado histórico da cidade, os nomes dos
cidadãos da antiga Ribeirãozinho nomeados oficiais da Guarda Nacional pelo Decreto
nº 5.971, de 16 de abril de 1906. Muitos já falecidos, outros residentes em locais
diferentes do Estado, dessa relação de oficiais alguns ainda vivem entre nós.
          A relação completa do nomes foi publicada no jornal “Correio do Interior”, na
sua edição de 29-4-1906 – nº 56, a saber:
          Por Decreto nº 6.971, de 16-4-1906, foi criada mais uma brigada nesta comarca
(Taquaritinga ainda não era comarca, em 1906; portanto, entende-se que era a Comarca de
Jaboticabal a que está se referindo o decreto), sendo para ela nomeados:
          Constituíam a 160ª Brigada de Infantaria:
          Coronel Comandante – Gustavo Augusto de Moraes
          Estado Maior –
          Capitães Assistentes:
          Alfredo Batista da Rocha e
          Sotero de Arruda Campos

          Capitães Ajudantes de Ordens
          Joaquim de Sampaio Peixoto e
          Gabriel Arcanjo Cavalheiro

          Major Cirurgião
          Capitão Álvaro Freitas

          478 Batalhão de Infantaria
          Estado Maior
          Tenente Coronel Comandante
          Antonio de Moraes Silveira
          Major Fiscal –
          Osório Augusto de Moraes
          Capitão Ajudante
          Gabriel Teixeira de Paula
          Tenente Secretário
          Francisco Silva
          Tenente Quartel- Mestre
          Araldo Ferreira Leite
          Capitão Cirurgião
          Manoel Mendes Pereira

          1ª Companhia
          Capitão – Agnelo de Moraes
          Tenente - José Ferreira Leite
          Alferes – Antonio Ayello e José Aureliano de Castilho

          2ª Companhia
          Capitão – Pacífico Soares de Camargo
          Tenente - João Mantesi
          Alferes - Pedro de Souza Teixeira e Paschoal Nucci

          3ª Companhia
          Capitão – José Costancio
          Tenente - Felippe Antonio
          Alferes - João Felippe Sampaio  e José Alves de Arruda

          4ª Companhia
          Capitão - José Rodrigues de Camargo
          Tenente - Carlos da Cunha
          Alferes - Sebastião Teixeira de Camargo e José Mathias Corrêa

          479º Batalhão de Infantaria

          Estado Maior
          Tenente Coronel Comandante – José Floriano de Oliveira
          Major Fiscal – Gabino Honório Sampaio
          Capitão Ajudante - Carmelo Pagliuso
          Tenente Secretário – Manoel Cayolins de Oliveira
          Tenente Quartel Mestre – Eduardo Alves da Silva
          Capitão Cirurgião – João Baptista Gonçalves

          1ª Companhia
          Capitão – José Pereira de Souza
          Tenente – Aristides Alves Pereira
          Alferes - José Baptista de Oliveira e João Corrêa de Campos

          2ª Companhia
          Capitão - João Epiphanio de Camargo
          Tenente - José Baptista Gonçalves
          Alferes -  João Guilherme Hummel e Joaquim de Mattos Coutinho

          3ª Companhia
          Capitão - Sebastião Domingues da Silva
          Tenente - Tancredo Ayello
          Alferes - José Coutinho de Magalhães e Benedicto Francisco Mariano

          4ª Companhia
          Capitão - Israel da Cunha
          Tenente - Franklin Pereira da Costa
          Alferes -  João Baptista Filho e Joaquim Baptista

          480º Batalhão de Infantaria

          Estado Maior
          Tenente Coronel Comandante - Manoel Luiz Duarte
          Major Fiscal - Pedro Paulo Corrêa
          Capitão Ajudante - Antonino Cassiano :acerda
          Tenente Secretário - Vicente Albano
          Tenente Quartel Mestre - Gaudêncio Cardoso da Silva
          Capitão Cirurgião - Avelino Campos Negreiros

          1ª Companhia
          Capitão           - João Caetano Ferreira
          Tenente - Osório Pereira de Souza
          Alferes - João Carlos Baptista e Jayme Gustavo de Lima

          2ª Companhia
          Capitão - Virgílio Joaquim de Sant’Anna
          Tenente - Luiz Gonzaga de Sant’Anna
          Alferes - Joaquim Francisco de Castilho e Luiz Francisco de Castilho

          3ª Companhia
          Capitão - José Innocencio de Camargo Lima
          Tenente - João de Godoy Sobrinho
          Alferes - João Capistrano Pereira e Felício de Angelo

          4ª  Companhia
          Capitão - José Innocêncio do Amaral
          Tenente - Basílio Joaquim de Sant’Anna
          Alferes - Pedro Gonçalves da Cunha e Flamínio Teixeira de Carvalho

          160º  Batalhão de Reserva

          Estado Maior
          Tenente Coronel Comandante - João Carvalho
          Major Fiscal - Francisco Alves de Arruda
          Capitão Ajudante - Francisco Ludgero da Cunha
          Tenente Secretário – Amando de Castro Lima
          Tenente Quartel Mestre – João Augusto Duarte
          Capitão Cirurgião - Francisco de Paula Ferreira

          1ª Companhia
          Capitão – Honório da Costa Silveira
          Tenente - Joaquim Antonio Galvão
          Alferes - Sebastião Gabriel de Salles e Francisco Gonçalves Pinto

          2ª Companhia
          Capitão - Francisco Antão de Barros
          Tenente - Antonio Machado de Aguiar
          Alferes - João Custódio Gonçalves e José Silvério Barbosa

          3ª Companhia
          Capitão - José Justiniano
          Tenente - José Francisco Machado
          Alferes - João Galvão de Almeida França e Francisco Camargo Arruda  

          4ª Companhia
          Capitão - Joaquim Antonio da Fonseca Duarte
          Tenente - Ernesto Manoel Coelho
          Alferes - José Gregório Pinto e Silvério Américo Barbosa

          Capitão Francisco de Paula Ferreira

          Fazia parte da Guarda Nacional.  Seu neto Dinho forneceu-me cópia da Carta
Patente, nomeando Francisco de Paula Ferreira para o posto de capitão do 160º Batalhão
da Guarda Nacional, sediado em Ribeirãozinho.  Essa carta patente está datada de 28 de
fevereiro de 1907 e assinada pelo então Presidente da República Dr. Afonso Pena. Dinho
forneceu-me também a primeira página do “Jornal de Taquaritinga”, datado de 26-7-1923,
onde noticiou o falecimento do capitão Francisco de Paula Ferreira, conhecido
popularmente por Chicão de Paula, ocorrido a 24 de julho de 1923.
          Transcrevemos o teor do referido documento:
          “O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil
          Faço saber, aos que esta Carta Patente que por Decreto de 16 de abril de 1906,
foi nomeado Francisco de Paula Ferreira para o posto de Capitão Cirurgião do 160º
Batalhão da Reserva da Guarda Nacional da Comarca de Jaboticabal no Estado de São Paulo,
e como tal gozará de todas as honras e direitos inerentes ao posto pelo que manda à
autoridade competente que lhe dê posse, depois de prestada a solene promessa de servir
aos Oficiais superiores que o reconheçam e a todos os seus subalternos que lhe obedeçam
as suas ordens.
          Para lhe servir de título, lhe mandei passar a presente Carta, por mim assinada
e que se cumprirá depois de selada com o selo das Armas da República.
          Palácio da Presidência no Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1907, décimo nono
da República.
          a)    Affonso . . . . Penna
          a)    Augusto . . . .

          No verso da Carta Patente constam as seguintes anotações:
          Prestou compromisso e tomou posse nesta data perante o Comandante da Brigada –
Ribeirãozinho, 4 de dezembro de 1907
          a)    – Alfredo Baptista da Rocha – Capitão Secretário

          Visto – Gustavo Augusto de Moraes
          Coronel comandante da 160ª Brigada.

          Registrada no livro competente a fl. 21, do Livro nº 3
          Secretaria da Brigada, 160ª de Ribeirãozinho, em 9 de maio de 1908
          a)    - Paulino Rocha - Capitão Assistente

          Relacionada nesta Comissão do Departamento da 2ª Linha do Exército Nacional, em
Taquaritinga, aos 19 de agosto de 1918
          a)    – Capitão Francisco Lemos

          Entregue ao portador em 17-8-1921
          a)    – Capitão Lemos”

          Avisos de interesse dos membros participantes da Guarda Nacional

          O jornal “O Correio do Interior”, em sua edição de 9-12-1906 – nº 88, consta o
seguinte:
          “Compareceram perante o Sr. Gustavo Augusto de Moraes, coronel Comandante da
160ª Brigada da Guarda Nacional desta comarca, devidamente fardados e armados, prestando
compromisso de fidelidade os oficiais da mesma milícia srs. José Costanço, capitão
ajudante e Alfredo Baptista da Rocha, capitão de Companhia.”

          O jornal “O Correio do Interior”, em sua edição de 1º-7-1906 – nº 65, publicava
o seguinte aviso:
          “Guarda Nacional = Até o dia 29 de junho p. findo pagavam-se, sem aumento de
porcentagem, nas coletorias federais os selos de patentes dos oficiais nomeados por ato
de 9 de abril último.
          Os valores dos selos são os seguintes:
          Tenente coronel - 376$000
          Major 315$000
          Capitão   107$000
          Tenente 90$000
          Alferes 60$000
          Findo aquele prazo pagarão mais 10% até 90 dias e mais 10% até 180 dias e,
findo este último prazo, ficará sem efeito o respectivo decreto.”