|
Este jornal iniciou suas atividades a 24 de janeiro de 1904. Na edição de 24 de janeiro de 1906- (nº 110), estava comemorando dois anos. A direção era de Francisco Mesquita. Na primeira página desta edição, há um singelo editorial, onde assim se manifesta: “... Completa hoje esta folha dois anos de existência, entrando para o terceiro com a consciência calma e serena de quem pensa ter cumprido o seu dever . . .” Em seguida, o advogado, escritor e historiador Dr. Artur Mendes enviou uma mensagem, desejando sucesso e “. . . Nestas duas linhas, escritas por entre o vozerio festivo dos rapazes que já enfileiram num recanto da oficina um exército de “bohemias” (cervejas) para ser sacrificado em honra ao aniversário desta folha, deixo meu grande abraço ao Mesquita, alma feita de delicadeza que neste momento superiormente redige O RIBEIRÃOZINHO, e ao Lemos, enfatigável arrebanhador de novos elementos de prosperidade para o jornal”. Em seguida, outra mensagem de congratulações, assinada por Honório de Oliveira Camargo, que exercia o cargo de vereador e que, entre 12-01-1905 a 9-01-1906, exerceu o cargo de intendente (prefeito). Seguem-se outras três mensagens, redigidas no idioma italiano, assinadas por Dr. José Zaccaro, Perissinotti e Licurgo Beolchi, o que demonstra que o jornal tinha uma legião de leitores adeptos da língua italiana. Mais outras mensagens, assinadas por Manoel Gomes de Mendonça, Thomaz Sebastião de Mendonça, João Braga (farmacêutico), Bernardo Soares, Melchior de Mello, Carlos Lehfeld, Renato Magalhães, Arthur Lima, Antonio Rollemberg. O jornal publicava os atos oficiais da Câmara Municipal e da Prefeitura Municipal. Transcreve a Ata da Sessão da Câmara Municipal, realizada a 15 de janeiro de 1906, quando foram tratados os seguintes assuntos: Na seção “Expediente” – Foi lido o parecer do Senado Estadual sob nº 119, de 20-12-1905, sobre o recurso interposto por Gustavo Augusto de Moraes, relacionado com o ato da Câmara Municipal que contratou com Dr. Luiz E. Grandjean as obras de abastecimento de água e exgotos, sem a observância da concorrência estabelecida pelo art. 48 da Lei Orgânica do Município. Esse expediente foi encaminhado à Comissão de Higiene e Obras Públicas. (OBS: não temos conhecimento do desfecho deste assunto).
Vereador Capitão Carmelo Pagliuso
Foi lido um ofício do Secretário do Interior, datado de 10 de janeiro de 1906, declarando à Câmara que, embora o vereador Carmelo Pagliuso tivesse feito declaração em 1890 de querer continuar com a nacionalidade de origem, posteriormente, adquiriu, pelos meios legais, a qualidade de cidadão brasileiro, tanto assim que é eleitor desde 1901 e foi incluido no novo alistamento eleitoral. Assim sendo, perfeitamente legal foi a sua eleição para vereador, tanto mais quanto, em tempo hábil, não foi interposto recurso algum contra o ato da Câmara que o proclamou vereador.
Ordem do dia
Balancetes das Receitas e Despesas da Câmara
Foram apresentados pelo procurador da Câmara, Sr. Joaquim de Toledo Piza, os balancetes dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1905, com parecer do vereador Carmelo Pagliuso. Os balancetes foram aprovados.
Divisão do município para fins eleitorais
De conformidade com o artigo 6º do Decreto Estadual nº 1.240, de 3-10-1904, a Câmara Municipal fez a divisão do município em duas seções eleitorais, que funcionaram no edifício da Câmara. Na primeira seção, estavam relacionados 250 eleitores e na Segunda seção, 198 eleitores, totalizando, no município, 448 eleitores. Estavam marcadas eleições para 3 de fevereiro de 1906, para a escolha de dois senadores ao Congresso do Estado, nas vagas abertas pela renúncia dos Dr. Gustavo de Oliveira Godoy e Francisco de Paula Ramos de Azevedo. O escrivão do Cartório era o Sr. Bernardino Inocêncio do Amaral, que era o Primeiro Juiz de Paz.
Empresa Funerária para exploração do serviço funerário
Foi aprovada proposta apresentada por Januário da Cunha Melo, para exploração do serviço funerário, pelo prazo de 5 anos. Por esse contrato, o contratante se obrigava a fornecer caixões (urnas mortuárias) e carros fúnebres nas seguintes condições:
Caixões 1ª classse – 60$000 (sessenta mil réis) 2ª classe - 40$000 3ª classe – 25$000
carros fúnebres 1ª classe – 40$000 2ª e 3ª classes – 20$000
Edital da Prefeitura Municipal
O Sr. Sebastião Moreira da Silva, intendente municipal desta Vila de Ribeirãozinho, faz saber que por este edital ficam intimados com o prazo de 60 dias os proprietários de terrenos nas ruas em que houverem guias e sargetas a fazerem muros de acordo com as posturas municipais. No mesmo prazo, intimo a todos os proprietários para dar início aos serviços da extinção dos formigueiros, existentes nos quintais. 12-janeiro-1906.
Anuncios comerciais
José Cosentino & Irmão – Armazem de secos e molhados, ferragens louças, armarinhos, cal, cimento e madeira Rua do Comércio nº 33
Ao Empório Meridional, de José Salerno Fazendas, armarinhos, roupas feitas, calçados, chapéus de sol e de cabeça, máquinas de costura Rua do Comércio, 28
Antonio Cubdari - Fazenda na Casa do Galo – de Antonio Cundari Rua do Comércio 57
Casa Militerno Largo da Matriz, 3
Farmácia Braga – antiga Seabra Farmacêutico – João Braga Rua do Comércio 8
Hotel Accorsi Rua do Comércio 12
Oficina Mecânica e Serralheria De Roque Gioia Rua Bernardino Sampaio, 27
Chalet Luzitano – cerveja gelada e gelo José Mendes Ferreira
Alfaiataria Paulista de V. Amatuzzi
Antonio Ferreira da Silva Leite Telhas - na Chácara Recreio
Francisco Mesquita – representante da Comissária G. Villaça & Comp. (era o diretor do jornal “O Ribeirãozinho”
Vicente Mantese havia comprado o estabelecimento comercial denominado “Terraço Bohemio” do Sr. Manoel Gonçalves do Nascimento, Rua Prudente de Moraes.
Vendem-se duas casas – proprietário José Mortari Rua Prudente de Moraes, esquina da Visconde do Rio Branco, 57
Rua 15 de novembro, esquina com a Rua Duque de Caxias Tratar na casa de Stefano Pagliaruli (OBS: A rua 15 de novembro originariamente corresponde à atual Rua Libero Badaró – vide verbete sob o título rua 15 de novembro – rua Líbero Badaró)
Notas sociais
Antonio Ferreira da Silva Leite e sua esposa Conceta foram festeiros da Festa de São Sebastião
Senhoritas Juliana e Julieta cantaram várias “romansas” na “soiree” na residência do moço Thomaz de Mendonça
Joaquim Matheus Corrêa seguiu para a Fazenda Cruzeiro – Joaquim Matheus era monarquista e participou ativamente do Movimento que visava restaurar a Monarquia, ocorrido em 1902.
Aurélio de Alvarenga era o secretário da Câmara Municipal
Joaquim de Toledo Piza era o Procurador Municipal, atual Tesoureiro
Bernardino Innocencio do Amaral era o responsável pelo Cartório da Seção Eleitoral. Era o Primeiro Juiz de Paz do município. Pinto Ferraz era o escrivão desse cartório.
 |
|
|
|
|  |  | | |
|  |
|