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Em 1905, um ato benemérito de um cidadão taquaritinguense demonstrava que a população necessitava de uma entidade voltada à saúde . a Loja Maçonica encabeçava essa iniciativa e um de seus membros fez a doação do terreno destinado a receber o futuro hospital. A 19 de julho de 1905, o Sr. José Maria Nuevo fez a doação do terreno, cujo documento transcrevemos o seu inteiro teor: “Aos Venerandos membros da loja Líbero Badaró Nesta.
CERTIDÃO De posse de vosso grato officio, com data de 17 do corrente mez e sciente do conteudo do mesmo; cumpre-me o dever de responder-vos. Foi por mim muito satisfactoria a iniciativa que a associação denominada “Libero Badaro” , n’esta Villa, deliberou em uma das suas ultimas sessões a edificação de uma casa de misericordia; e que para esse fim, solicitavam de mim uma area de terreno para a edificação do predio de vossa iniciativa em terreno de minha propriedade e a titulo de doação por mim feita. É com summo interes, baseado em intuito humanitario que honro-me em associar-me a illustres cidadãos, na ardua tarefa como seja o encargo da vossa iniciativa da edificação n’esta Villa, de uma casa de misericordia. É por tanto a vossa idea uma das mais sanctas que o cerebro pode imaginar e conto com certeza que fareis em mente as palavras fé, esperança e caridade, que são o bálsamo do coração humano. Não somente vos farei doação do terreno suficiente que me solicitaes e para o fim que desejais, como tambem farei a doação de dez mil tijolos que servirão para terminação de tão pia obra; alem disso fornecerei trez leitos, devidamente completos, que ficarão pertencendo a casa da vossa iniciativa, casa esta de misericordia. Terminando, faço sinceros votos que a vossa nobre idea seja coroada de bom exito e que este canto do Estado de São Paulo, chamado Ribeirãozinho, ocupe lugar saliente no mapa do Estado. Ribeirãozinho, 19 de julho de 1905. Aos Venerandos Attento Venerador e criado
JOSÉ MARIA NUEVO” No texto, faltam algumas palavras que o tempo se encarregou de apagá-las, mas assim mesmo dá para entender que o doador, além de doar o terreno onde seria construído o prédio da Santa Casa, ainda doou 10.000 tijolos e mais três leitos completos. Portanto, a doação do terreno ocorreu a 19 de julho de 1905. E quando ocorreu o lançamento da pedra fundamental ? A prova de que a cidade já estava consolidada e seu crescimento era visível e palpável, são os dois acontecimentos históricos ocorridos no ano de 1907: - a criação da Comarca de Taquaritinga e - o lançamento da pedra fundamental da Santa Casa. Sobre esses dois acontecimentos, por se constituírem e fazerem parte da história de nossa cidade, portanto, de domínio público, tomamos a liberdade de transcrever parte do artigo de autoria do emérito historiador José Romanelli, transcrito na edição de 13 de janeiro de 1957, no jornal “Cidade de Taquaritinga” : “ O lançamento da pedra fundamental da Santa Casa verificou-se, ao que sabemos, na tarde de 20 de outubro daquele ano (1907), por iniciativa do conceituado médico Dr. José Zaccaro, falecido a alguns anos em Catanduva, servindo de paraninfos do ato solene o Casal constituído pelo Sr. Gabriel Teixeira de Paula e exma. Esposa D. Ercília Faria de Paula, proprietários da importante fazenda Diamantina, deste município, atualmente (1957) residentes na Capital da República (Rio de Janeiro). A cerimônia contou com a presença do Padre Vicente Ruffo, Vigário da Paróquia, do concurso da filarmônica “RECREIO” , dirigida pelo maestro José Stabile e grande número de pessoas gradas da vila e das cidades vizinhas. O terreno para a construção do hospital foi doado pelo benemérito e saudoso casal José Maria Nuevo e dona Brasília Rocha Nuevo”. Por ocasião do transcurso do Jubileu de Ouro da Santa Casa, o historiador José Romanelli fez publicar um outro artigo, que se encontra transcrito na edição de 20 de outubro de 1957, no citado jornal “Cidade de Taquaritinga”, que tomamos a liberdade de transcrevê-lo: “Há cinqüenta anos passados, no dia de hoje (20-10-1957), foi solenemente lançada a pedra fundamental da Santa Casa de Misericórdia de Taquaritinga, atualmente, constituindo uma das mais completas e modelares instituições hospitalares do interior. Deve-se a sua criação ao espírito progressista do benemérito médico de nacionalidade italiana – Dr. José Zaccaro -, idealizador, também, do primeiro hospital da cidade de Catanduva, onde faleceu a 19 de março de 1947. Documentos da época permitem-nos conhecer os nomes dos cooperadores do Doutor Zaccaro para dotar a então cidade de Ribeirãozinho de um hospital de caridade de cuja falta se ressentia e que constituíram a Comissão Construtora os senhores: Dr. José Zaccaro, Antonio José do Nascimento, Farm. João Braga, Dr. Ascendino de Rezende (Promotor Público), Thomaz Sebastião de Mendonça, Dr. Arthur Mendes, José Augusto Penteado, Coronel Gustavo Augusto de Moraes, Dr. Antonio Rollemberg, Carmelo Pagliuso, Savério Calderazzo, Juvenal Costa Carvalho, Calil Ramia, Francisco Henrique Lemos, Carlos Sehfeld, Padre Vicente Ruffo, Estevam da Costa Silveira, Virgílio Sant’Anna, Alfredo Batista Rocha, Ernesto Pinto Ferraz, Dr. João Perissinotti e Dr. Rodolfo Gastão de Sá Filho. O lançamento da pedra basilar do hospital deu-se, pois, na tarde do dia 20 de outubro de 1907, servindo de paraninfos do ato o Sr. Gabriel Teixeira de Paula e sua esposa dona Ercília Faria de Paula”. Segundo o historiador Professor Arnaldo Ruy Pastore, Dr. José Zaccaro, o iniciador da idéia da construção, contou com a colaboração do Dr. Joaquim Mariano da Costa, coadjuvado pelo advogado Dr. Arthur Mendes. Em 1931, a Diretoria da Santa Casa estava assim composta: Presidente: Francisco Henrique Lemos Tesoureiro: Antonio Salinas Júnior Secretário: Antonio Conrado de Albuquerque CENTENÁRIO DA DOAÇÃO DO TERRENO No dia 19 de julho de 2005, em uma singela mas significativa homenagem, A Diretoria da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia e Maternidade “Dona Zilda Salvagni” reverenciou a memória do saudoso José Maria Nuevo, doador das terras onde se construiria depois o prédio de nosso hospital. Nos jardins, em frente à Santa Casa, ocorreu o descerramento de uma placa alusiva ao ato. Coube ao presidente da Santa Casa, Sr. Ermildo Tiosso dirigir os atos daquele evento, nomeando as autoridades presentes: Prefeito Municipl Paulo Delgado, Presidente da Câmara Municipal, vereador Vanderlei Marsico, familiares do homenageado, a saber Maria Aparecida Abbud, Maria Antonieta Abbud e Dr. Jorge Cássio Tiosso Abbud, professor Arnaldo Ruy Pastore. Depois das saudações de praxe, o Sr. Ermildo Tiosso efetuou o seguinte discurso: “A Loja Maçônica “Líbero Badaró”, juntamente com a Diretoria e o Conselho Deliberativo da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia e Maternidade “Dona Zilda Salvagni” está comemorando hoje, dia 19 de julho de 2005, o Centenário do ato de doação do terreno onde se encontram edificadas as dependências do nosso hospital. A doação foi feita pelo ilustre senhor José Maria Nuevo, insigne cidadão europeu, natural da cidade de Santiago da Compostela – Espanha -, que vindo para o Brasil se radicou inicialmente no Município de Jaú, onde conheceu a esposa Dona Brasilizia da Rocha Nuevo. Mudou-se logo após para a “Vila de Ribeirãozinho”, onde já residiam seus irmãos e onde nasceram os seus filhos: Aristides, Herminda, Judith, Afonso, Homera e Benedito Narciso, jornalista e poeta. Em 1905, a Loja Maçônica “Libero Badaró” contava sete anos de existência (1898) e já contabilizava expressiva soma de serviços prestados à comunidade da então denominada Vila de Ribeirãozinho. A população crescia de forma intensa e novas benfeitorias se faziam necessárias, dentre elas, a de contar com uma Casa de Saúde, visando proporcionar atendimento digno aos enfermos, uma vez que, naquela época, a vila não dispunha de qualquer conforto na área de saúde, pois o atendimento aos pacientes era realizado de forma precária em farmácias e consultórios, onde até pequenas cirurgias eram efetivadas. Os maçons daquela época imbuídos do propósito de atender aos legítimos anseios da população, dirigiram ofício ao referido cidadão José Maria Nuevo, proprietário de diversas quadras de terreno na área urbana da vila, solicitando a doação de uma dessas quadras para o fim específico de edificar a referida Casa de Saúde. A resposta do humanitário cidadão veio sob a forma de uma carta que foi transcrita na placa que ora temos a honra de descerrar. Tivemos então o descerramento da placa efetuado por autoridades e familiares do homenageado, na qual estava reproduzida na sua íntegra, com a caligrafia e a ortografia da época, a carta de doação, cujo teor encontra-se transcrito acima. Finalizando, disse o Presidente Ermildo Tiosso “. . . o fato consumou-se através de Escritura Pública lavrada pelo escrivão de paz e tabelião Ernesto Pinto Ferraz, em 6 de outubro de 1905, instrumento em que figuram o casal doador, representados neste ato pelo Procurador advogado Dr. Antonio Fernandes de Freitas e como donatário a Loja Maçônica “Líbero Badaró”, representada pelo Venerável Mestre da época, Sr. Manoel Mendes Pereira, figurando ainda como testemunhas, os Srs. Timothes Silveira e Francisco Silva”. AS FALAS DO PROFESSOR ARNALDO RUY PASTORE E DO PREFEITO PAULO DELGADO O professor e historiador Arnaldo Ruy Pastore lembrou que o movimento para a construção de um hospital na nascente Ribeirãozinho teve início com o jornal “Correio do Interior” de propriedade do português Antonio de Castro, fundado a 13 de janeiro de 1905 e que foi o primeiro jornal de nossa cidade. A idéia foi levada até a Maçonaria pelo maçom Dr. José Zaccaro acatada por toda a irmandade de então que fez inicir a construção de nosso hospital, cuja pedra fundamental foi lançada em 1907. Em seguida falou o Prefeito Paulo Delgado que enfatizou a inestimável e inegável importância da Santa Casa, desde a sua fundação até os dias atuais, para toda a nossa comunidade e região. AGRADECIMENTO DE D. NAIR NUEVO ABBUD Naquela oportunidade o Dr. Jorge Abbud fez a leitura de um agradecimento de Dona Nair Nuevo Abbud, do seguinte teor: “Agradeço por mim e por toda a minha família que ainda restam, nesta minha querida e amada Taquaritinga. Aos senhores abnegados maçons desta cidade, pela homenagem póstuma que prestaram aos meus inesquecíveis avós José Maria Nuevo e sua esposa Brasiliza da Rocha Nuevo , doadores do terreno para a construção desta Santa Casa, hoje este monumental Edifício de Saúde para a defesa da nossa comunidade. Após um século de trabalho, conseguimos concretizar o seu sonho. Obrigada”. Aqui está um pouco da história de nossa Santa Casa, de que nós taquaritinguenses tanto nos orgulhamos.
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