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A história do cemitério municipal passa pela própria vida dos pioneiros de nossa cidade. A história registra que foi Andrelino Domingues da Silva, um dos fundadores da cidade, que doou o terreno para a instalação da atual necrópole. A 23 de abril de 1896 ocorreu o primeiro sepultamento, na necrópole local. Coincidentemente, o primeiro sepultamento foi o de Bernardino José de Sampaio, um dos fundadores de nossa cidade. Morreu vitimado por colapso cardíaco, caindo do animal que cavalgava, no cruzamento da rua do Sapo (antiga rua 15 de Novembro, atual rua Hermínio Piva) com a rua Prudente de Moraes. Foi enterrado no cemitério atual, na sepultura número um. Contava 65 anos de idade. Não deixou descendentes. Foi casado com a sua sobrinha Francisca da Silva Sampaio, filha de sua irmã Anna da Silva Sampaio, casada com José Domingues da Silva. Portanto, sua sogra era também sua irmã. Vários túmulos daquela época ainda podem ser vistos, pois encontram-se em bom estado de conservação. Localizam-se na parte central da necrópole. São sete túmulos, construídos no final do século 19 (1896), em formato de colunas, apontando para o alto, com lápides e estátuas esculpidas em pedra mármore. Além de Bernardino José de Sampaio, outros fundadores encontram-se ali sepultados: Bernardino José de Sampaio – 13-11-1831 a 22-4-1896; Sebastião Domingues da Silva 20-7- 1840 a 11-7-1896; Bento Soares de Camargo - 21-3-1840 a 4-9-1896; José Domingues da Silva - 6 – 8- 1845 a 5- 5-1898; Coronel Andrelino Domingues da Silva – 16-2-1850 a 20-8-1901; Anna Eduarda Sampaio 14-10-1861 a 24-11-1898. Há, também, um túmulo de proporções menores, onde foi sepultada uma criança, cujo nome era José Domingues de Camargo, nascida e falecida em 10-1-1899. O cemitério anterior localizava-se onde, atualmente, é o nosso jardim central, isto é, a praça Dr. Horácio Ramalho.
ESTÓRIA SOBRE A INAUGURAÇÃO DO CEMITÉRIO Oficialmente, o primeiro sepultamento, no cemitério local foi o de Bernardino José de Sampaio. No entanto, uma passagem relatada pelo emérito historiador José Romanelli dá uma outra versão a esse acontecimento: “. . . Conta-se, todavia, que o primeiro sepultamento no cemitério atual foi na madrugada do dia 23, às escondidas, de um homem de cor, um preto que morrera vitimado pela febre amarela”, escreveu José Romanelli na coluna “Papel Carbono”, publicada no jornal “Cidade de Taquaritinga”.
O “morto ilustre” O Prefeito da época era Manoel Rodrigues Estrela. O Prefeito e as demais autoridades da época (1896) ocultaram, no registro de óbitos, a suposta morte do negro, esperando por um “morto ilustre”. E isso veio a se confirmar, pois Bernardino José de Sampaio era nada menos que um dos doadores dos 64 alqueires ao Mártir São Sebastião, onde se encontra erguida a nossa cidade. Bernardino José de Sampaio , alem de ser um dos fundadores, foi Juiz de Paz nomeado em 1892 e eleito presidente da Câmara Municipal, no mesmo ano.
SESSÃO DA CÂMARA MUNICIPAL REALIZADA A 31 DE DEZEMBRO DE 1896 Vamos reproduzir artigo de autoria do historiador José Romanelli, inserido na seção “Cidade há 30 anos”, , na edição de 1º de janeiro de 2000, do jornal “Cidade de Taquaritinga”, que nos dá uma visão de como era a nossa cidade naquele longínquo ano de 1896.
“NO TEMPO DA VOVÓ” - José Romanelli Na Sessão da Câmara Municipal da Vila de Ribeirãozinho, no dia 31 de dezembro de 1896, convocada pelo presidente José de Castro Lima, compareceram os edis Maximiano Antonio de Moraes, Manoel Rodrigues Estrella, Laudelino de Camargo e Juvenal da Costa Carvalho, servindo como secretário José Cavalheiro. Aberto os trabalhos declarou o presidente que convocara aquela sessão: “. . . por ser o último dia do anno de mil oitocentos e noventa e seis a fim de n’ella aprezentar como é o seu dever, o relatorio das rendas e despezas do exercício de mil oitocentos e noventa e seis”. Passa, então, a enumerar os trabalhos do exercício que findava, frisando que encontrou, ao assumir o cargo “... um código de Posturas, regulamento interno, tabella de impostos assaz “difficientes” e o mais em completa “descidia, como fora minuciosamente exposto na secção de vinte e sete de janeiro da “difficuldades”com que tem luctado esta Camara, não só na arrecadação de seus impostos como tambem n’outros ramos de sua administração”. Esclarece o presidente a seguir que durante o ano “. . . votou-se e fortam promulgadas a tabella de impostos, lei numero um, orçamento da receita e despeza, lei numero dois, codigo de posturas municipais, lei numero tres, regulamento interno, lei numero quatro, regulamento do Cemiterio, lei numero cinco. Construiu-se trez pontes na estrada de Jaboticabal e uma no Ribeirão dos Porcos, etc.”. A arrecadação foi de 22:562$154 reis (valor hoje de um modesto par de sapato) e a despesa de 20:551$189 reis. Entre outras despesas figuram pagamentos a “ . . .Leonardo Pastore 53.000 de medicamentos fornecidos a pobres e indigentes, conforme conta aprezentada; a Castro & Cia. 96.000 também em medicamentos e “dezinfectantes” fornecidos a indigentes; a José Carlos de Souza 24.000 de fornecimento de comida a prezos pobre, etc.”. Como se sabe, afirmado por antigos moradores daqui e comprovado por documentos oficiais, José de Castro Lima (que era natural do Rio Grande do Sul e farmacêutico de profissão) desempenhou na época (de 15-2-1900 a 26-8-1901) também o cargo de intendente (prefeito), com a maior lisura e probidade, sem embargo do que foi, certo dia, espancado e ferido gravemente por políticos adversários. Magoado e desgostoso, retirou-se da vila para seu Estado natal, onde findou seus dias ignorado e esquecido dos relevantes serviços prestados”.
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Uma nota curiosa foi publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, sobre Ribeirãozinho, em sua edição de 28 de maio de 1898: “Em Ribeirãozinho os brasileiros natos estão numa bagagem medonha. A maior parte dos funcionários daquele município é de nacionalidade estrangeira. São italianos: um vereador, o agente do correio, o carcereiro, o administrador do cemitério, o coveiro, o arrumador, o alinhador e o professor municipal. São portugueses: o presidente de Câmara Municipal, o sub-delegado de polícia, o oficial de justiçado juiz de paz. Nota curiosae a nosso ver muito grave: o professor municipal não sabe uma palavra de português”.
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