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Entre 1864 e 1870, desenvolveu-se a Guerra do Paraguai. A história brasileira tomava novos rumos. Para fazer frente à Guerra, o Exército Imperial que, até então, recrutava seus escalões superiores entre a elite escravocrata, teve de abrir seus quadros a outras parcelas da população, recrutando filhos de uma nascente classe média para posições de comando e milhares de negros alforriados, para os escalões inferiores, o que tornou o Exército permeável às idéias abolicionistas e republicanas, visto que o Governo Imperial havia alforriado milhares de escravos para enviá-los à frente de batalha. Os negros ganhavam a liberdade para irem lutar na guerra. Terminada a guerra, os negros que retornaram, muitos mutilados, outros atacados de febre amarela, maleita, alojaram-se em favelas, no Rio de Janeiro. Diante desse novo quadro, a própria organização do Exército Imperial foi alterada, no esforço de guerra, pois antes não passava de um desarticulado corpo de milícias regionais. Havia necessidade de unificá-lo, dando-lhe âmbito nacional. Os seis anos de guerra aumentaram vertiginosamente a dívida externa brasileira para a Inglaterra, fornecedora de armas, navios, capitais para os combatentes. Preso a essa dívida e corroído por crescente inflação, a estabilidade econômica do Império brasileiro ficou seriamente comprometida. Os aliados venceram a Guerra, mas saíram dela endividados. A conclusão é de que a vitória da guerra foi uma vitória feita de dívidas.
1868 – expansão da cultura do café
Paralelamente às escaramuças da Guerra do Paraguai, o café se expandia pelo interior paulista. Começou a surgir a questão do transporte das safras . Era necessário resolver esse problema . Os paulistas se associam e formaram a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Saliente-se que essa empresa foi formada só de capitais particulares, sendo a grande maioria de fazendeiros. A empresa foi formada “sem um tostão do governo e nem de firmas estrangeiras”, como se orgulhavam de dizer os proprietários da nova empresa.
1870 – fim da Guerra do Paraguai
Em 1870, terminou a Guerra do Paraguai. Na região de Campinas, havia extensas lavouras de café plantadas. Aliada à questão do transporte das safras, começava a surgir um novo desafio: o fim da escravidão, que já era discutida em todas as rodas. Portanto, o novo desafio a ser enfrentado pelos fazendeiros era o problema da mão-de-obra. Quanto à questão do transporte, já vinha sendo solucionada, com a implantação das estradas de ferro. E quanto à mão-de-obra? Como solucionar? Adotava-se uma solução cruel, que consistia na transferência dos escravos do Norte e Nordeste para as regiões do Sudeste, principalmente para o Estado de São Paulo. A cultura da cana de açúcar estava decadente, no Nordeste. Os donos de engenho passaram a vender seus escravos. Os fazendeiros paulistas passaram a se abastecer de mão-de-obra nos decadentes engenhos do Nordeste. Milhares de escravos eram trazidos por mar, em condições iguais ou piores que os do tráfico africano, que havia sido proibido, em 1850. Havia protestos contra a utilização dessa mão-de-obra escrava, dificultando o tráfego interno de escravos. Esses fatores apontavam e encaminhavam os fazendeiros para a substituição da mão-de-obra escrava pela imigração. A partir de 1870, foi intensificada a imigração de Portugal, Alemanha, Espanha, Síria, Bélgica e principalmente da Itália. Paralelamente, se expandia a cultura do café, caminhando rumo ao interior paulista. Novas fazendas eram abertas. Famílias se deslocavam para o nosso Estado.
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