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Assim, iniciava-se um período em que as terras eram conseguidas através da posse, posse essa que, mais tarde era demarcada e legalizada através de um processo, culminando com uma sentença judicial. A região despovoada e quase virgem não passava, como era conhecida, à época, de “um deserto de homens”. Existiam matas virgens, capoeiras, campos de criar, terras férteis. Faltavam gente e braços para desbravá-las, conquistá-las e possuí-las. A região passou a se desenvolver economicamente a partir da chegada dos primeiros entrantes que se apossavam das terras devolutas e vazias da região. Abrindo picadas na mata virgem, enfrentado toda sorte de perigos e doenças, os entrantes procuravam no sertão novas perspectivas de vida. Estabeleciam pouso em algum sítio que lhes parecia aprazível e delimitavam a olho a sua área. No trabalho de demarcação erguiam cruzes, cravavam ferros nos troncos de árvores. Aos poucos iam erguendo choupanas, casas de pau-a-pique, outras de barrotes, cobertas com folhas de coqueiros, construindo currais, abrindo rego d´água, para movimentar a roda d´água que, por sua vez, ia movimentar o monjolo, a casa de moinho, a serraria. Nessa imensidão de terras, a posse era o caminho natural para o entrante aqui aportar, se fixar e conseguir o direito de exploração de áreas dessas terras vazias. Após os devidos atos preparatórios, a posse estava concluída e os posseiros se consideravam como senhores - donos da terra. Com a posse da terra, logo iniciavam o processo produtivo. Cada família cultivava e criava à proporção de seus braços. A princípio, abriam roças com culturas de subsistência – arroz, feijão, mandioca. Plantavam para o gasto e comercializavam os excedentes, com os viajeiros, tropeiros e negociantes que passavam pela região. Num estágio mais à frente, passam à criação de gado, onde se extraia a carne que o sol e o sal se incumbiam de conservar e que também fornecia o couro, matéria prima de grande utilidade que, depois de passar por um processo de curtimento, era utilizado para o preparo dos arreios, das selas, os laços, as botinas, botas e muitos outros utensílios domésticos. Como vimos, a posse era o primeiro passo para a aquisição das terras.
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