NOSSA TAQUARITINGA
PRIMEIRO CICLO - Pré-Fundação
          O primeiro desses ciclos  compreende o período que antecedeu o ato do nascimento
oficial da cidade, que se deu a 8 de junho de 1868, que o denominamos de “pré-fundação”.

          1825 – 1830 - Família Castilho da Capa Preta
          As reminiscências mais antigas sobre a nossa cidade, passadas pela tradição oral,
remontam entre os anos de 1825 a 1830.
          Recorremos à história da Família Castilho, cuja descendência é conhecida como os
“Castilho da Capa Preta”.  Os seus antecedentes, em nossa região, retroagem à década de
1825/1830, com a doação de uma gleba de terras a uma senhora de nome Maria Francisca, por
ter amamentado o filho do Imperador D. Pedro I e da Imperatriz D. Leopoldina.  O recém-nascido
era o Príncipe herdeiro, que veio a ser D. Pedro II.
          D. Pedro I (o pai) comovido e em sinal de gratidão por Maria Francisca ter
amamentado seu filho, presenteou-a com uma gleba de terras, conhecida por Sesmaria, que se
estendia desde “. .os sertões ou campos de Araraquara até a barranca do Rio Tietê”.
          Essa doação teria ocorrido entre os anos de 1826 a 1830.  Diz a lenda que Maria
Francisca em pessoa, acompanhada dos filhos, deixaram a cidade do Rio de Janeiro e
penetraram no sertão e tomou posse da sesmaria recebida que se estendia pelo sertão paulista
a dentro, até se perder de vista, onde se encontravam as terras que deram origem a nossa
cidade.
          Nas suas andanças, Maria Francisca usava uma capa preta.  Por usar essa vestimenta,
em qualquer tempo, quer fizesse sol ou chuva, granjeou-lhe o apelido de “a mulher da capa
preta”, cognome que até hoje acompanha seus descendentes como “os Capa Preta”.
          Maria Francisca instalou-se à beira de um riacho e ali passou a cultivar diversas
culturas, além de dedicar-se à criação de gado e suínos, que se reproduziam ao largo. Pela
grande concentração de suínos à beira do riacho, o local ficou conhecido como “Ribeirão dos
Porcos”, denominação pela qual é conhecido até nossos dias.
          Portanto:  embora oficialmente a nossa cidade tem seu registro de nascimento
ocorrido a 8 de junho de 1868, data da doação das terras, mas o seu surgimento de fato
retroage entre os anos de 1825 e 1830, com a vinda de D. Maria Francisca de Jesus, “a dona
da capa preta”, viúva de Manoel Francisco de Castilho e mãe de José Francisco de Castilho,
este “irmão de leite” de D. Pedro II, criando raízes em nossa cidade e em nossa região.
                                     
          Como já vimos anteriormente, a história de nossa cidade, baseada em documentos,
começa em 1868, mais precisamente em 8 de junho, com a assinatura do termo de doação das
terras a São Sebastião dos Coqueiros, onde está edificada a cidade.
          Mas, onde nos baseamos para afirmar que a nossa cidade é anterior e que os seus
antecedentes retroagem à década de 1820?
          Aproveito a oportunidade para prestar uma homenagem ao Sr. Arioldo Azevedo de
Castilho, recentemente falecido, que era bisneto de José Francisco de Castilho, este o
primeiro “Capa Preta” e irmão-de-leite de D. Pedro II.
          Um esclarecimento: o que estamos debatendo aqui não tem o condão, nem o privilégio
da verdade absoluta. Se traduz num mero exercício de reanálise de uma parte da história de
nossa cidade. Não nos alvoramos donos da verdade. Apenas estamos registrando o que
constatamos, fruto de nossas pesquisas. Estamos aberto para debater o assunto e
apreciaríamos que outras pessoas se interessassem pela história de nossa cidade, tão carente
de registros históricos.

          A história é uma ciência dinâmica. À medida que as pesquisas vão se desenvolvendo,
novas relações vão surgindo, provocando novas interpretações para os fatos.  É o que vamos
fazer, focalizando os primórdios de nossa cidade, retroagindo entre as décadas de 1820 e 1830.
 
          O leitor, certamente, se surpreendeu com o título desta crônica, visto que a história
de nossa cidade, baseada em documentos, começa em 1868, mais precisamente em 8 de
junho, com a assinatura do termo de doação das terras a São Sebastião dos Coqueiros, onde
está edificada.
Este termo de doação se constitui na certidão de nascimento de nossa cidade.

          Mas, certamente, antes dessa data, a nossa região já era habitada. Onde nos baseamos
para afirmar que a nossa cidade é anterior e que os seus antecedentes retroagem à década de
1820?
 
          As reminiscências mais antigas, passadas pela tradição oral, remontam entre os anos
de 1825 a 1830.
 
          Certamente, antes do ato de doação (1868) a nossa região já era habitada por outras
pessoas. Isso é perfeitamente compreensível, pois ao redor de nossa micro-região, já havia
vilas formadas:
  • Araraquara é município desde 1832;
  • Jaboticabal – a fertilidade de suas terras começou a atrair esbravadores
por volta de 1820, tendo se emancipado a 16 de julho de 1828;
  • Itápolis – seu território é conhecido desde 1723, quando por lá chegou uma
bandeira a procura de ouro.
          FAMÍLIA  CASTILHO –  CLà  DOS CAPA PRETA

          Em defesa de nossa tese, recorremos à história da Família Castilho que, certamente,
se constitui no clã mais antigo de nossa cidade. Entre os vários documentos consultados,
consignamos o livro “A SAGA DA FAMÍLIA CASTILHO”, cuja autora é Hercília Castilho Cardoso
(Edição de 1987). A autora do livro é descendente direta de dois dos grandes ramos da Família
Castilho, no Estado de São Paulo: de José Antonio de Castilho e de Manoel Francisco de
Castilho, cuja descendência é conhecida como “os Castilho da Capa Preta”. O livro contém
diversos depoimentos de pessoas e conta a história da Família Castilho.
 
          Às folhas 9 do citado livro, consta a seguinte citação:
          “ ... Em seu depoimento, a farmacêutica Benedicta de Castilho Rocha, residente em
Aparecida, filha da caçula de José Francisco de Castilho (este irmão-de-leite de D.Pedro II,
apelidado Capa Preta) nos conta que,  em sua meninice, em Taquaritinga, era tradição oral em
sua família – ramo “Capa Preta” que, acompanhando a Côrte Portuguesa, quando de sua
transmigração de Portugal para o Brasil (1807 – 1808), chegaram três irmãos, nobres
portugueses:
  • José Antonio de Castilho,
  • Manoel Francisco de Castilho e
  • Alexandre José de Castilho.
          Manoel Francisco de Castilho, que era casado com a nobre Maria Francisca de Jesus,
solicitara a D. João VI permissão e uma apresentação para, juntamente com sua mulher Maria
Francisca, estabelecerem-se como fazendeiros, na Província do Piauí, onde desejavam iniciar
uma criação de gado.
 
          Manoel Francisco veio a falecer (presume-se no Piauí), o que determinou a vinda de
Maria Francisca para o Rio de Janeiro, onde se tornou amiga da Imperatriz D. Leopoldina.

          Maria Francisca dera a luz seu terceiro filho de nome José Francisco de Castilho (já
citado anteriormente). Na mesma época, D. Leopoldina também dera a luz a um menino.
Acontece que a Imperatriz já se encontrava com problemas de saúde. Em conseqüência de seu
estado debilitado, não tinha leite suficiente para amamentar a criança, seu filho,
recém-nascido.
 
          Maria Francisca se prontificou a amamentar aquela criança. O recém-nascido era o
Príncipe-herdeiro, que veio a ser D. Pedro II.  E, assim, os dois recém-nascidos, o Príncipe e
José Francisco passaram a ser “irmãos-de-leite”.

          D. Pedro I (o pai), comovido, em sinal de gratidão por Maria Francisca ter
amamentado seu filho, presenteou-a com uma gleba de terras, conhecida por sesmaria, que se
estendia desde “os sertões ou campos de Araraquara” até a barranca do Rio Tietê.
 
          Essa doação teria ocorrido entre os anos de 1826 a 1830.  A justificativa dessas
datas se baseia no fato de que a doação teria ocorrido após o nascimento de D. Pedro II
(filho) e antes da abdicação de D. Pedro I (pai) que se retirou para Portugal.
 
          A data de nascimento de D. Pedro II é 2 de dezembro de 1825 e a abdicação de D.
Pedro I ocorreu a 7 de abril de 1831. Portanto, a doação da sesmaria teria ocorrido após o
nascimento de D. Pedro II e até a abdicação de D. Pedro I.
 
          Diz a lenda que Maria Francisca em pessoa, acompanhada dos filhos, deixaram a Corte
do Rio de Janeiro e penetraram no sertão e tomou posse da sesmaria recebida , que se
estendia pelo sertão paulista a dentro, até se perder de vista, onde se encontravam as terras
que deram origem a nossa cidade de Taquaritinga.
 
          A mudança para Ribeirãozinho assemelhou-se a uma entrada para o sertão.
Deslocaram-se talvez mais de uma dezena de pessoas entre a patroa, filhos e  agregados.
 
          Abarrotaram-se carros de bois com móveis, trens de casa, ferramentas, quinquilharias,
sementes, mudas, mantimentos, aves, cães, porcos. Usaram animais de carga e montaria;
tangeram muito gado.
 
          Nas suas andanças, Maria Francisca usava uma capa preta, talvez presente da
Imperatriz, sua amiga. Por usar essa vestimenta,  em qualquer tempo, quer fizesse sol ou
chuva, grangeou-lhe o apelido de “a mulher da capa preta”, cognome que até hoje acompanha
seus descendentes como “os Capa Preta”.
 
          Certamente, o primeiro descendente dos Castilho a ser conhecido pelo apelido de
“Capa Preta” foi o filho de Maria Francisca, de nome José Francisco, que era “irmão-de-leite”
do Imperador D. Pedro II.
 
          Maria Francisca instalou-se à beira de um riacho e ali passou a cultivar diversas
culturas, além da criação de gado e suínos, que se reproduziam ao largo.  Pela grande
concentração de suínos, à beira do riacho, ficou conhecido como Ribeirão dos Porcos,
denominação pela qual é conhecido até nossos dias.
 
          Como reminiscências dos domínios dos Castilho, até hoje, ainda há propriedades
rurais, em cujos títulos de domínio (escrituras) constam que foram desmembradas de área maior
conhecida como “Legítimas dos Castilho ou dos Capa Preta”.
 
          Entre Jurupema, Cândido Rodrigues e Fernando Prestes há uma área de terra que é
conhecida como “Cachoeira dos Castilho”, parte das terras primitivas da Família Castilho.
 
          CONCLUINDO: Embora oficialmente a nossa cidade tem seu registro de nascimento
ocorrido a 8 de junho de 1868, data da doação das terras, mas o seu surgimento de fato,
retroage entre os anos de 1825 e 1830, com a vinda de d. Maria Francisca de Jesus, a dona da
capa preta, viúva de Manoel Francisco de Castilho e mãe de José Francisco de Castilho, este
“irmão-de-leite”de D. Pedro II, criando raízes em nossa cidade e em nossa região.
 
          Convém registrar que, além da criação de gado bovino, muar, suíno e das plantações,
outras atividades eram desenvolvidas na propriedade do Capa Preta.  Havia a oficina de
ferreiro, geralmente dirigida por um escravo profissionalmente habilitado com o fole, a forja,
marretas e bigornas, onde eram produzidos pregos, ferraduras para as tropas, correntes para os
carretões, peões para os carros de bois, dobradiças para as portas e janelas e outros objetos
de metal usados rotineiramente.
          Havia uma serraria, movida pela roda d’água.  A água era desviada através de um rego,
que ia movimentar a roda d’água que era utilizada para movimentar o moinho, o monjolo e o
engenho.  Na casa do moinho fazia-se, principalmente, o fubá;  na casa do monjolo, pilava-se o
milho, o arroz, o café.  Na casa do engenho, prensava-se a cana de açúcar donde se extraía a
garapa e se produzia a rapadura e a aguardente, produtos indispensáveis para os moradores.
          Na realidade, a propriedade do Capa Preta se constituía numa unidade econômica auto
suficiente.

          Além das plantações e da criação de gado, outras atividades artesanais eram
desenvolvidas nas fazendas. Na sua maioria, essas atividades se destinavam ao auto-consumo,
mas podiam também ser comercializadas.

          Antes da fundação oficial de nossa cidade, a nossa região já era habitada por outras
pessoas.
          Isso é perfeitamente compreensível, pois ao redor de nossa micro-região já havia
vilas formadas:
  • Araraquara é município desde 1832;
  • Jaboticabal – a fertilidade de suas terras começou a atrair esbravadores
por volta de 1820, tendo se emancipado a 16 de julho de 1828;
  • Itápolis – seu território é conhecido desde 1723, quando por lá chegou uma
bandeira a procura de ouro.
          O que nos leva a acreditar que a nossa região já era habitada é que os registros
apontam que por aqui era uma das rotas para Goiás. No final do século XVII e início do XVIII,
com a descoberta do ouro, primeiro em Minas Gerais e depois em Cuiabá, criou-se uma enorme
corrente migratória rumo ao interior brasileiro. Levas de aventureiros se deslocavam rumo ao
novo Eldorado, surgindo desse movimento migratório trilhas que os levassem até os pontos de
extração do ouro.
          Os primeiros caminhos rumo ao ouro nasciam em São Paulo, através dos bandeirantes.
São Paulo foi, deste modo, se tornando o entroncamento natural de diversas rotas de transporte
ou contrabando do ouro e, também, da comercialização de gêneros de primeira necessidade e
do gado muar e cavalar.
          Entre as diversas entradas que levavam ao Brasil Central, certamente, uma dessas
passava pela nossa região.
          Com um certo grau de certeza, podemos afirmar que a nossa região fazia parte do
chamado “Caminho dos Goyazes”, isto é, do caminho que levava para a área mineradora, para
as minas de ouro de Goiás, na época do Brasil Colônia.